Entrevista com o fisioterapeuta Fabrício Escudine

O shiatsu – tipo de massagem desenvolvida no Japão na segunda metade do século XIX – deve ser encarado com muita cautela pelo paciente com câncer, porque em alguns casos pode até prejudicar o tratamento. A afirmação é do fisioterapeuta Fabrício Escudine, que trabalha com essa técnica no atendimento a portadores de diversas doenças.

A palavra shiatsu significa pressão (Atsu) com os dedos (Shi). A técnica utiliza a pressão dos dedos feita em pontos diferentes do corpo considerados canais de energia e que são os mesmos utilizados na acupuntura. A escolha dos pontos a serem pressionados é feita de acordo com o diagnóstico do paciente e com a avaliação do profissional que vai aplicar a técnica. Em alguns casos, pode ser aconselhável o “kihon” completo, ou seja, a manipulação de todos os pontos de energia no corpo, com o objetivo de levar ao relaxamento e à provável melhora do quadro a ser tratado.

Cada diagnóstico e conseqüente definição da área a ser trabalhada determinam o tempo de duração da sessão, mas o ideal é que ela seja de pelo menos meia hora, explica Escudine. Também influem a reação do paciente e seu gosto pessoal. Um fator indispensável é que haja empatia entre o paciente e o terapeuta, em função da obrigatoriedade do toque que a técnica impõe. O método não exige que o paciente tire a roupa.

Escudine ressalta que o paciente com câncer precisa ser cuidadoso antes de se decidir por esse tipo de terapia. Além da liberação do médico, é preciso avaliar o estágio da doença e do tratamento porque, explica o fisioterapeuta, dependendo das condições clínicas o shiatsu pode facilitar a disseminação do tumor em lugar de colaborar com o tratamento médico.

Segundo ele, se a doença não estiver estagnada o shiatsu é totalmente contra-indicado. Se estagnada e o paciente for liberado para utilizar essa técnica, ela só poderá trazer benefícios se for aplicada com leve pressão, de forma a não estimular a disseminação do tumor para outros locais do organismo. Ele ressalta que o shiatsu pode apenas contribuir para a qualidade de vida do paciente, uma vez que por si não conduz ou produz a cura do câncer.

Em alguns casos, é mais benéfico utilizar a drenagem linfática, principalmente para pacientes mastectomizadas, porque essa técnica contribui para evitar o linfedema, mas deve ser aplicada apenas por um fisioterapeuta”, conclui o especialista. Ele alerta, ainda, que para pessoas enfermas ou com quadros complexos de saúde é necessário assegurar-se sobre a capacitação, experiência específica e formação profissional (médicos ou fisioterapeutas) do profissional que venha a aplicar shiatsu, uma vez que a técnica é conhecida e até bem aplicada popularmente por pessoas das mais variadas origens e profissões.



Publicado em 11/10/2007




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