Entrevista com o clínico geral Bernardo Kaliks*, da ABMA
O tratamento convencional de um tumor cancerígeno - que em geral consiste de cirurgia, radioterapia e quimioterapia - pode ser complementado com as ferramentas oferecidas pela linha antroposófica, uma extensão da medicina convencional que baseia seus diagnósticos nos métodos tradicionais acrescentados de pesquisa sobre o estado emocional, a história e a vitalidade do paciente.
Segundo o clínico geral Bernardo Kaliks, coordenador da Comissão de Ensino da Associação Brasileira de Medicina Antroposófica (ABMA), o tratamento dado ao paciente de câncer segue rigorosamente as orientações convencionais da oncologia, ou seja, a pessoa passa por cirurgia para extração do tumor e pode ser submetida a radioterapia, quimioterapia ou hormonioterapia, quando indicado. A medicina antroposófica, então, complementa esse tratamento, utilizando basicamente medicamentos naturais que, entre outros efeitos, pode reduzir as reações adversas do procedimento convencional.
"A complementação do tratamento pela medicina antroposófica oferece algumas vantagens e uma delas é a possível melhora do estado geral do paciente, que via seu dia-a-dia comprometido pelos efeitos colaterais dos medicamentos convencionais", explica Kaliks.
O médico também observa melhora no estado psicológico do paciente e, em alguns casos, melhores perspectivas em relação ao prognóstico e à sobrevida. Mas ele adverte que o uso da medicina antroposófica não permite dispensar os tratamentos tradicionais e só tem efeito sobre tumores sólidos, não se aplicando às neoplasias hematológicas ou linfomas.
Kaliks acrescenta que é coerente pensar que aspectos de fundo psicológico possam interferir no estado orgânico do indivíduo e vice-versa. Por isso, a antroposofia utiliza a psicoterapia como ferramenta auxiliar, orientada dentro dos princípios dessa escola. Entre as técnicas utilizadas, estão a terapia artística e a euritmia curativa, que trabalha com movimentos rítmicos.
*CRM-SP 34142
Publicado em 08/11/2007