Entrevista com a fitoterapeuta Vanderli Marchiori, da Apan

A fitoterapia, tratamento com o uso de plantas e, mais amplamente, com o auxílio de alimentos funcionais, pode ser um caminho para a prevenção e tratamento de várias doenças. Segundo a nutricionista e fitoterapeuta Vanderli Marchiori, diretora da Associação Paulista de Nutrição (Apan) e especializada em medicina natural pelo Manchester Institute de Boston (EUA), há diversos alimentos e plantas que contribuem na prevenção de doenças, interferem positivamente no sistema imunológico e auxiliam na diminuição de efeitos colaterais de medicamentos.

Os chamados alimentos funcionais são aqueles que, além de cumprir seu papel nutritivo, têm efeito ou ação adicional na prevenção ou tratamento de doenças. Entre eles, Vanderli enumera a soja, os alimentos ricos em tiamina, como os peixes cavalinha, arenque e robalinho (bordalo), e algumas frutas e vegetais: couve, couve-flor, brócolis, aspargos, frutas cítricas, pimenta, batata e tomate são alguns exemplos.

Alguns chás e ervas também podem exercer papel importante na prevenção de doenças e o principal deles é o chá verde, que contribui para acelerar o metabolismo e reduzir o colesterol, entre outras funções. O chá verde acelera a digestão e tem importante ação para diminuir o estresse. Há, porém, contra-indicações, lembra Vanderli, esclarecendo que o chá verde não deve ser ingerido por quem tem hipertensão, nefrite, glaucoma, doenças psiquiátricas ou é dependente químico.

Existem ainda diversas outras ervas utilizadas freqüentemente na prevenção e tratamento de doenças como ipê roxo, saw palmeto, black cohosh, equinácea, guaçatonga (que inibe a mutação celular do aparelho digestório) e  ginseng.

Para quem está em tratamento quimioterápico, há formas de lidar com eventuais reações adversas, como enjôos, náuseas e diarréias. O chá de gengibre gelado reduz enjôos e melhora a digestão, enquanto o chá de erva doce com folhas de goiabeira diminui a diarréia, afirma a fitoterapeuta. O usuário de bolsa de colostomia pode utilizar ainda o alecrim – desde que não seja hipertenso - ou a erva cidreira, que facilitam a digestão e reduzem o odor dos resíduos.

Vanderli enfatiza que, se desejar fazer uso da fitoterapia, o paciente em tratamento deve conversar previamente com seu médico. Dependendo do tipo de medicamento utilizado na quimioterapia, o uso de ervas pode ser contra-indicado. Se autorizado, o paciente deve buscar, sob a orientação de um profissional habilitado, ervas de boa procedência – ervas e chás vendidos em bancas de ambulantes, por exemplo, não passam por controle de qualidade e podem não ter as condições adequadas para consumo.

Publicado em 26/07/2007




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