Entrevista com a musicoterapeuta Adriana Bisconsin
Talvez a mais típica das brincadeiras de crianças, a dança de roda está sendo utilizada como ferramenta de base por alguns terapeutas e musicólogos para melhorar a qualidade de vida das pessoas. A técnica desenvolvida pelo bailarino alemão Bernhard Wosien na década de 70, a partir da observação de coreografias tradicionais dos povos, foi batizada de danças circulares. Essa modalidade terapêutica vem sendo aplicada no Brasil desde a década de 80.
Segundo Adriana Bisconsin, musicoterapeuta que leciona danças circulares aos professores da rede estadual de ensino em Curitiba, as aulas costumam acontecer uma vez por semana e têm duração de uma hora e meia. O grupo deve ter no mínimo dez pessoas para permitir a formação de uma roda confortável. Em geral a aula começa com música animada – o que permite o aquecimento do grupo – e sua finalização é feita com sons que transmitam tranqüilidade e descontração. Durante a aula, a música e o gestual utilizados podem estar relacionados a temas de bailados tradicionais ou mesmo serem coreografias contemporâneas, sempre com objetivos meditativos.
Para a musicoterapeuta, as danças circulares estimulam a consciência corporal e o ritmo dos participantes. O aluno sente leveza, aumento de sua flexibilidade corporal e tem ganhos também no que se refere a sua interatividade, convivência social e alegria.
Adriana explica que os participantes não precisam ter conhecimento anterior de dança e que não há restrições físicas a qualquer pessoa. Ela vê vantagens na técnica também para quem enfrenta um quadro de doença crônica ou grave, como o câncer. “O paciente passou por período de dificuldades no tratamento e muitas vezes mostra receio de se relacionar novamente e, para esses casos, as danças circulares podem ajudar a fazer sua reinserção num grupo social”, explica a especialista. Ela lembra, entretanto, que antes de começar a praticar a dança o paciente deve receber liberação médica, uma vez que a técnica implica atividades de intensidades variadas e pode exigir movimentos ampliados de braços e membros inferiores.
Quem apresenta questões psicológicas profundas pode praticar as danças circulares, mas, nesse caso, Adriana considera essencial que o aluno tenha também acompanhamento psicológico. “As danças circulares podem fazer aflorar algumas questões internas que precisam, depois, ser trabalhadas pontualmente em psicoterapia”, afirma a musicoterapeuta.
Publicado em 04/12/2008