Entrevista com o naturólogo Henrique Cirilo, da Faculdade Anhembi-Morumbi

A influência das cores sobre o comportamento humano é algo de que poucos duvidam. Independente de se falar de tendências da moda ou clichês, o fato é que todo mundo tem sua preferência e geralmente se deixa levar pelo humor do momento quando está decidindo a cor que irá vestir. Para muitos, as cores também contam na hora de tratar da saúde.

A técnica que estuda a influência das cores sobre o organismo em geral é a cromoterapia: ela se vale da luz e suas freqüências como recurso terapêutico e pode ser utilizada pelo paciente com câncer, após consultar seu médico, como terapia complementar para busca de melhor equilíbrio emocional e psíquico. Segundo Henrique Cirilo, professor de Naturologia da Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo, a cromoterapia tem duas abordagens: a científica e a espiritualista.

"A abordagem científica entende a luz como uma onda eletromagnética e estuda o efeito de suas freqüências no corpo humano", explica Cirilo. Ela está fundamentada no conceito de que o corpo humano é um sistema bioelétrico e que as cores e suas freqüências de luz podem influenciar o organismo, promovendo a regulação do sistema nervoso. Já a visão espiritualista é fundamentada nos conceitos do escritor alemão Goethe, que acreditava que as cores são formadas pela interação entre luz e escuridão. Essa abordagem leva em consideração a reação dos sentidos perante uma cor, que podem ser de estímulo ou inibição.

O professor conta que a cromoterapia é conhecida do homem desde períodos pré-históricos, quando a pintura no corpo era utilizada para espantar maus espíritos, para trazer sorte na caça ou curar doenças. Sabe-se que no Egito antigo existiam centros terapêuticos que utilizavam as cores para tratar as pessoas. No Papiro de Ebers, um dos mais antigos tratados médicos de que se tem notícia e que data de mais de 1.500 anos antes de Cristo, havia relatos de como utilizar óleos coloridos para curar as doenças do corpo e da alma.

Segundo Cirilo, as cores têm ações específicas. O vermelho, por exemplo, é estimulante, atua no coração e provoca alegria; o azul alivia as inflamações, é calmante; o verde harmoniza, atua no fígado e na vesícula biliar e assim por diante. Mas o naturólogo alerta que, quando a idéia é utilizar a cor para melhorar a saúde ou o bem-estar psíquico e emocional, é preciso primeiro fazer uma avaliação com um especialista para definir as cores corretas para o objetivo escolhido. Caso contrário, os efeitos podem não ser os esperados e, pior, podem ser o oposto do que se quer alcançar. Ou seja, assim como em outras terapias, a "auto-medicação" não é aconselhável.

Em geral, a cromoterapia usada para tratamento de saúde é aplicada em consultório. Não é necessário um tipo de preparação especial, aconselhando-se apenas que o paciente fique deitado confortavelmente com pouca luz no ambiente. O número de sessões, sua duração e freqüência dependem de cada caso, mas em média pode ser realizada uma sessão de uma hora por semana.

Cirilo enfatiza que a aplicação da cromoterapia em pacientes com câncer é definida levando em conta o tipo de câncer, o grau da lesão, o estágio de tratamento e a idade do paciente. "De maneira geral, utilizamos o azul para acalmar o emocional e o amarelo para fortalecer o aparelho digestivo", informa o especialista.

Publicado em 21/10/2008




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