Entrevista com a psicóloga Márcia Bozon, da Associação Brasileira de Eutonia

Criada no início do século passado pela bailarina alemã Gerda Alexander como forma de superar uma febre reumática que a levou a uma cadeira de rodas, a eutonia – junção das palavras eu, de origem grega (bom, justo, harmonioso) e tonus, do latim (tensão) - vem sendo uma prática aplicada para permitir a flexibilidade necessária e adequada para as diversas atividades do ser humano durante o dia e a noite.

Segundo a psicóloga Márcia Bozon, vice-presidente da Associação Brasileira de Eutonia, a terapia tem como princípios a estimulação da pele, a consciência dos ossos e de suas direções, a percepção do volume e do espaço interno do corpo e seu contato com as superfícies de apoio e objetos ao seu redor. O objetivo é que o aluno (os eutonistas não utilizam a palavra paciente porque sua intenção é ensinar a pessoa a praticar a técnica sozinha, sem a dependência do especialista) consiga melhor postura, melhor flexibilidade na adequação de seu tônus muscular à atividade que vai desempenhar e melhor resultado com o menor esforço físico correspondente.

“A tensão muscular é variável, depende de cada atividade, e existe mesmo com o corpo em repouso”, explica Márcia. Segundo ela, algumas pessoas, mesmo quando relaxadas fisicamente, não conseguem baixar sua tonicidade e ficam permanentemente em estado de excitação. Isso causa efeitos sobre o estado de disposição e o cansaço do indivíduo, que precisa reaprender a adequar o nível de sua tonicidade a cada momento do seu dia a dia.

O trabalho da eutonia é feito pela própria pessoa, sob o comando do especialista, ou pelo toque manual do eutonista. São utilizados diversos objetos para a realização dos movimentos, como bambus, bolinhas, toalhas, almofadas e outros. Parte importante da técnica é a concentração do aluno sobre as diversas partes de seu corpo: ele precisa sentir, por exemplo, os pés, a forma como se apóia neles, as sensações provocadas por seu movimento. Isto é, desenvolver a chamada consciência corporal.

Para a psicóloga, um dos grandes benefícios da eutonia está relacionado a quadros de dor. A técnica reduz essa sensação desagradável. “A dor se torna o principal foco de atenção da pessoa e desorganiza psiquicamente o indivíduo e a eutonia permite a ampliação do foco de atenção do paciente”, afirma Márcia.

Publicado em 22/11/2007




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