Entrevista com a bioquímica Alessandra Fagioli Lima, da Famec
Utilizada por profissionais de saúde como tratamento auxiliar de diversas doenças, a aromaterapia emprega óleos essenciais - assim chamados porque são retirados de plantas por processo mecânico, sem passar por manipulações químicas em laboratório - aplicados em massagens e indicados para uma série de doenças e quadros de estresse. Esses óleos podem ser extraídos de diversas partes da planta - raízes, caule, folhas e frutos - e fazem parte do mecanismo de defesa dessas plantas.
"São óleos muito concentrados, que não podem ser ingeridos, apenas utilizados em uso tópico, por meio de massagens", explica a farmacêutica e bioquímica Alessandra Fagioli Lima, professora de aromaterapia na Faculdade de Educação e Cultura Montessori (Famec), de São Paulo. Segundo ela, esses óleos são muito complexos, carregam em muitos casos mais de 800 componentes químicos diversos, e por isso até o momento não se teve sucesso na tentativa de reproduzi-los em laboratório.
Como a mesma planta pode ter diversos tipos de óleo dependendo de onde é extraído, sua indicação também é diferenciada. O óleo retirado da flor da laranjeira, por exemplo, é empregado em casos de depressão, enquanto o que vem da própria fruta é usado no combate à celulite. A reação de cada indivíduo também é diferenciada, uma vez que cada cheiro tem uma representação diferente para cada pessoa, dependendo de sua história de vida.
A aromaterapia não tem contra-indicações, mas alguns óleos, sim. Pessoas com hipertensão, por exemplo, devem evitar o uso de óleos como a sálvia, o tomilho e o alecrim. Já os hipotensos não devem utilizar o lang-lang. Durante a gravidez, a aromaterapia só pode ser aplicada a partir do quinto mês e assim mesmo só com o óleo da lavanda.
Alessandra enfatiza que a aromaterapia só deve ser utilizada a partir de liberação médica e que essa técnica não constitui tratamento isolado e único, mas auxiliar ao tratamento convencional. Os óleos utilizados devem ser modificados no máximo a cada três semanas porque o organismo tende a ficar saturado e não perceber o cheiro depois de determinado tempo.
Para o paciente com câncer, a aromaterapia pode ser um caminho para a busca do relaxamento, já que a técnica é comumente aplicada para aliviar quadros de estresse e tensão.
Publicado em 06/03/2008