Entrevista com o educador físico Paulo de Figueiredo
Ao contrário da maioria das técnicas de atividade ou de relaxamento de origem oriental, que costumam ter uma história milenar, uma nova prática, batizada de ai chi, começa a ganhar adeptos no Brasil. Criada pelo japonês Jun Konno, especialista em educação física, o ai chi transpôs os movimentos utilizados no tai chi chuan para a água, como explica o professor de educação física Paulo André Poli de Figueiredo, um dos adeptos do ai chi no Brasil.
Konno desenvolveu o ai chi no final da década de 80. No Brasil, ela passou a ser adotada a partir dos anos 90, tendo como principal objetivo o relaxamento. Segundo Figueiredo, autor de uma obra sobre o assunto – “Ai Chi, Técnica de Relaxamento Aquático” -, a prática começou a ser adotada por atletas e também na fisioterapia.
Figueiredo explica que uma sessão de ai chi é constituída por quatro módulos de exercícios, começando com os membros superiores, a estabilização do tronco, os membros inferiores e, por último, de coordenação motora geral. Cada módulo tem quatro ou cinco exercícios diferentes, permitindo que a sessão completa seja realizada em cerca de 20 minutos.
Todo o trabalho é feito com movimentos lentos sincronizados com exercícios respiratórios. Assim, determinados movimentos são casados com a inspiração, enquanto outros são realizados no momento da expiração. O professor explica que o ai chi adota o conceito de meridianos, presente nas técnicas do shiatsu e do watsu, por onde passa a energia. A técnica trabalha sobre esses meridianos para normalizar o fluxo de energia comprometido por situações como o estresse ou tensão.
Segundo Figueiredo, o ai chi pode ser especialmente benéfico para o paciente com câncer. Após a liberação médica, a prática dessa técnica pode auxiliar no relaxamento, na melhora do sistema circulatório e no combate à sensação da fadiga.
Publicado em 21/01/2009