Entrevista com a psicóloga Maria Luiza Ribeiro Cruvinel
Buscar um novo parceiro no mundo moderno pode até ser mais fácil do que antigamente. Hoje, pessoas que querem se relacionar com gente do mundo inteiro ou buscam engatar um novo namoro encontram na internet uma ferramenta que pode facilitar o contato com os outros. Os obstáculos parecem diminuir dia-a-dia e há cada vez mais sites de relacionamento que se propõem a agilizar o encontro entre pessoas.
Para quem considera que o uso da tecnologia decretou o fim do romantismo nas relações amorosas, a psicóloga e sexóloga Maria Luiza Ribeiro Cruvinel, especializada em terapia familiar, esclarece que, ao contrário, a web é a pura expressão do romantismo. Afinal, onde mais alguém pode ter um relacionamento em que cabem todas as fantasias e onde o príncipe encantado pode nunca aparecer como ser humano de carne, osso e defeitos?
Maria Luiza já recebeu em consultório diversos pacientes usuários de sites de relacionamento e, a partir de suas observações, concluiu que o perfil desse usuário é, em geral, romântico, tímido, carente, ansioso e, muitas vezes, com histórico de dificuldade em relacionar-se amorosamente.
"Em muitos casos são pessoas que têm dificuldade de lidar com o contato presencial e conseguem se soltar mais quando se relacionam protegidas por uma ferramenta como a internet", explica a psicóloga.
Maria Luiza ressalta que os sites de relacionamento podem ser de grande ajuda para quem tem alguma restrição para sair de casa e freqüentar ambientes externos e com grande circulação de pessoas. "Para os mais velhos ou para quem enfrenta algum tratamento de saúde, os sites de relacionamento podem ser uma boa alternativa para conhecer pessoas e preencher parte da necessidade social e emocional", diz a especialista, que vê ainda nessa ferramenta a possibilidade de evitar que algumas pessoas entrem em estado depressivo.
Para ela, a chance de um relacionamento iniciado dessa forma tornar-se bem-sucedido é a mesma de um relacionamento do mundo real. "Para que isso aconteça, a pessoa tem de passar do virtual para o real e, então, a continuidade vai depender dos mesmos fatores que influem em qualquer relação, como a afinidade, a tolerância, o entendimento e a aceitação do outro", diz a psicóloga.
Como na internet é possível inventar sobre si mesmo e criar verdadeiros personagens, a psicóloga alerta que é necessário tomar alguns cuidados. Nunca, por exemplo, passar dados que facilitem sua localização. Outro cuidado é marcar o primeiro encontro no mundo real em um lugar público, freqüentado por muita gente, e de preferência ir ao encontro na companhia de um amigo ou amiga.
Publicado em 21/10/2008