Entrevista com o sexólogo Marcos Ribeiro, consultor do Ministério da Saúde
Ajudar o parceiro – ou parceira – a reconquistar a confiança e o desejo sexual, muitas vezes abalados após o diagnóstico de câncer e seu tratamento, pode resultar não só em uma vida conjugal mais rica como, também, ser um instrumento de maior aproximação entre o casal. A afirmação é do sexólogo Marcos Ribeiro, consultor do Ministério da Saúde para assuntos relacionados a doenças sexualmente transmissíveis.
Ribeiro defende que logo após o diagnóstico o casal receba esclarecimento, na mesma consulta médica, sobre tudo que pode acontecer em função do tratamento. Nesse momento de primeiro contato com as etapas do tratamento, seu efeito sobre a rotina do paciente, sobre uma eventual intervenção cirúrgica para retirada do tumor e suas conseqüências sobre a aparência, Ribeiro afirma que é importante o parceiro avaliar como se sentiria se perdesse algo de que gosta muito em si mesmo.
“No caso do homem, por exemplo, ele deve avaliar com honestidade como se sentiria se ficasse careca”, explica o sexólogo, acrescentando que procurar estar no lugar do outro é uma forma de cimentar o caminho para o entendimento e a aproximação.
Para o paciente, é parte fundamental de sua recuperação sentir-se apoiado pelo parceiro. Por isso, Ribeiro sugere conversas que mostrem que, para o parceiro sadio, o importante é a pessoa como um todo e que ela não se resume à parte do corpo que precisou ser retirada. Mas ele alerta que essa tem de ser uma sensação verdadeira, porque não adianta – e, geralmente, é até pior – a pessoa dizer uma coisa e seu olhar e gestos dizerem outras. Se esse não for o verdadeiro sentimento, Ribeiro aconselha que, primeiro, o parceiro saudável faça um acompanhamento terapêutico para que sua dificuldade seja superada.
A cumplicidade do casal durante todo o tratamento pode, ainda, passar por atitudes como oferecer companhia na escolha de uma peruca, quando houver perda de cabelos, e buscar novas formas de entendimento sexual que, enfatiza o profissional, não se resume à consumação do ato em si.
“A sexualidade humana é mais ampla e inclui momentos e comportamentos como dormir abraçados, assistir à televisão de mãos dadas, levar café da manhã na cama ao parceiro que está em tratamento”, exemplifica Ribeiro.
Ele aconselha que medidas sugeridas para manter a vida sexual atraente para casais que não enfrentam problemas de saúde valem também para quando um dos parceiros está doente: buscar novos diálogos que despertem a libido, ajudar a parceira – ou o parceiro – a se despir, utilizar brinquedos sexuais que sejam de comum acordo.
“A novidade é um elemento importante para manter a libido acesa em qualquer casal”, afirma Ribeiro.
Publicado em 21/05/2007