Entrevista com a psicóloga Christina Haas Tharabay, do Hospital A.C.Camargo

Pacientes ostomizados que não têm relacionamento estável sentem-se geralmente receosos de sair em busca de suas caras-metades diante de sua nova condição física. Antes de partir para conhecer novas companhias, é necessário fortalecer-se e aumentar sua capacidade para tolerar frustrações, explica a psicóloga Christina Haas Tarabay, do Departamento de Psicologia e Psiquiatria do Hospital A.C. Camargo, de São Paulo.

“Com as mudanças que ocorreram em seu organismo e todas as adaptações por que ele teve de passar, é aconselhável que ele só saia em busca de uma nova relação quando realmente se sentir pronto para isso, inclusive para ouvir os nãos que a vida normalmente dá e que para ele podem ganhar dimensão maior”, afirma a psicóloga.

Para Christina, esse é um momento que só o paciente pode determinar, assim como a hora de falar sobre sua condição com as novas pessoas com quem se relacionar. “Não existe um momento que se adeque para todos, é o indivíduo que vai definir quando estará seguro consigo próprio e pronto para repartir com o outro”, afirma a terapeuta.

No momento em que se colocar para o outro, o paciente deve estar emocionalmente fortificado o suficiente para lidar com um possível afastamento. “É preciso entender que o não pode ocorrer em qualquer circunstância, mesmo com o indivíduo sadio, e que a frustração diante do insucesso também é uma resposta normal”, explica Christina.

Mesmo que haja sucesso na nova conquista, o paciente também pode encontrar dificuldade no seu relacionamento íntimo, em decorrência de sentimentos de vergonha por causa do ostoma. Para os homens, a dificuldade em ter ou manter uma ereção é, no geral, passageira e não decorrente de problemas fisiológicos. A dica é procurar relaxar, aproximar-se da parceira com carícias e afetuosidade. Com o tempo, a dificuldade tende a desaparecer, mas, se isso não acontecer, o melhor é procurar apoio terapêutico para superar o problema.

Preparar-se para o contato sexual exige do ostomizado comportamento muito similar ao de alguém não-ostomizado: cuidar previamente de sua higiene íntima, estar relaxado e em sintonia com o parceiro.





Publicado em 05/05/2008

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