Entrevista com a ginecologista Lenira Mauad, do Hospital Amaral Carvalho
A mulher, muitas vezes, subestima sua capacidade de atrair o parceiro e adota comportamento de auto-rejeição que acaba levando o casal a um real afastamento. A constatação é da ginecologista Lenira Mauad, do Hospital Amaral Carvalho, especializado no atendimento a pacientes com câncer e que atende a uma população de cerca de 2 milhões de pessoas, de Jaú e municípios circunvizinhos, no interior de São Paulo.
Com experiência de 20 anos no atendimento a pacientes com câncer, Lenira revela que os reflexos sobre a sexualidade feminina acontecem a partir do diagnóstico. Isso porque o ser humano está acostumado a relacionar sexo com saúde, bem-estar, boa aparência, pele suave e cabelos sedosos.
No tratamento, a perda de energia e as reações adversas reduzem o desejo sexual e a mulher se vê menos disposta a manter um relacionamento sexual constante. Passada essa situação transitória, que tende a ser revertida com o final do tratamento, a mulher geralmente mantém a crença de que o parceiro não vai mais sentir interesse por ela, o que a médica considera como resultado da baixa auto-estima provocada pelos reflexos do tratamento no organismo, principalmente quando o procedimento cirúrgico causou alterações em seu corpo.
“Tenho observado que para acreditar que o parceiro continua interessado nela, a mulher precisa primeiro se sentir desejável e por isso muitas vezes nem chega a dar chance para que ele demonstre que seu interesse não diminuiu”, explica a médica.
Lenira acredita que, embora a visão seja importante na estimulação sexual masculina, o tempo de convivência, a cumplicidade, o grau de entendimento e a história de vida do casal têm peso ainda mais forte na vida sexual de marido e mulher. Ela considera fundamental para o sucesso do tratamento que a paciente possa discutir com o médico todas as questões que estejam afetando sua qualidade de vida em função do câncer e do tratamento. Quando a paciente não expressa espontaneamente os problemas que está vivenciando, Lenira cuida ela mesma de fazer o questionamento e, sobre o relacionamento do casal, incentiva a paciente a dar oportunidade para seu parceiro se mostrar solidário.
A médica tem constatado que mesmo nos casos em que a cirurgia para a remoção de tumores afeta a aparência física ou atinge regiões do corpo diretamente ligadas ao relacionamento sexual, passado o primeiro impacto o casal consegue adaptar-se à nova realidade e encontrar o caminho para manter um relacionamento sexual satisfatório para ambos.
Publicado em 14/06/2007