Entrevista com a psicóloga Juliana Potter(*), da Santa Casa de Porto Alegre

As mudanças decorrentes do tratamento contra o câncer - sejam elas passageiras em função dos tratamentos quimio e radioterápico ou permanentes, causadas pela cirurgia para a remoção do tumor - podem levar a uma transformação no relacionamento afetivo e sexual do casal, tanto provocadas pelo parceiro doente como pelo sadio.

Assim, pessoas que colocavam a vida sexual como fator preponderante em suas vidas podem passar a evitar o relacionamento e outras, que não tinham relacionamento sexual constante ou não consideravam essa uma manifestação muito importante em suas vidas, podem após o diagnóstico buscar uma vida sexual mais ativa.

“A tendência em geral é intensificar o comportamento que a pessoa já apresentava, mas pode também ocorrer uma mudança brusca nesse comportamento”, avalia a psicóloga Juliana Potter, da Santa Casa de Porto Alegre.

Qualquer um desses comportamentos pode ser observado em pacientes que tiveram uma mudança corporal visível – como a extração da mama ou a presença de uma bolsa de colostomia, por exemplo – ou mesmo naqueles em que a modificação foi interna, mas de alguma forma ligada à vida sexual, como é o caso da retirada do útero.

Juliana observa que a exacerbação de um comportamento normalmente reflete o que já vinha ocorrendo na vida íntima do casal e que acaba se amplificando após o diagnóstico do câncer. “O casal passa a relacionar a doença ao problema íntimo, sem perceber que ele já existia previamente”, explica a psicóloga.

A especialista alerta que todo comportamento extremo deve ser cuidado. Se houve mudança radical ou apenas amplificação de uma atitude preexistente, mas que passa a incomodar o relacionamento do casal, o aconselhável é buscar conhecer suas causas e aprender a lidar com elas para, quando necessário, tentar uma modificação que permita melhorar o relacionamento.

“Quando o paciente parte para outro extremo, que não é o seu habitual, existe grande chance de que ele venha a se deprimir depois e sua chance de enfrentar contratempos no futuro é real”, ensina Juliana, acrescentando que o recomendável pode ser uma terapia do casal. Quando a mudança de comportamento aparece no parceiro sadio, o ideal pode ser uma terapia individual para ele.





(*)CRP-RS 07/12872

Este serviço de utilidade pública conta com o apoio institucional das entidades de defesa e divulgação da causa do câncer.
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