Entrevista com a oncologista Maria Del Pilar Estevez Diz (*), do Centro de Oncologia do Hospital das Clínicas de São Paulo
Tratamentos rádio e quimioterápicos não impedem que a mulher em idade fértil continue ovulando. Entretanto, nem sempre isso é perceptível porque normalmente o tratamento leva a uma irregularidade no período menstrual. A informação é da médica Maria Del Pilar Estevez Diz, do Centro de Oncologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, acrescentando que o aconselhável é discutir com o médico as alternativas apropriadas para evitar a gravidez nessa fase.
Ela explica que as drogas utilizadas na quimioterapia podem provocar aborto ou malformações no primeiro trimestre da gravidez e, por isso, é desaconselhado que a mulher engravide quando vai se submeter à quimio. Se isso acontecer, é necessário interromper o tratamento, o que pode acarretar grandes riscos à saúde da paciente.
Se o tratamento for iniciado no segundo ou no terceiro trimestre da gestação, há possibilidade de utilizar drogas menos danosas, mas, mesmo assim, Maria Del Pilar adverte que o tratamento pode reduzir o peso do bebê ao nascimento. A radioterapia também é danosa para o feto. A radiação ionizante é tóxica em qualquer período da gestação.
A escolha do método de prevenção da gravidez depende de uma série de fatores, informa a especialista, entre os quais a idade da paciente e o tipo de tratamento a que está sendo submetida.
A oncologista adverte que, para as mulheres ainda em idade fértil, o uso da tabela para evitar a gravidez é ineficaz, em função das irregularidades menstruais causadas pela quimioterapia. Outros métodos devem ser discutidos com o médico. Quando o tumor está localizado em regiões que estão relacionadas à produção hormonal, como é o caso da mama, métodos contraceptivos que impliquem em ingestão de hormônios são contra-indicados. Se o câncer for colorretal, por exemplo, que não tem ligação hormonal, esses métodos podem ser utilizados.
Maria Del Pilar informa ainda que após o término do tratamento é possível engravidar. O prazo varia de acordo com a droga utilizada e deve ser discutido caso a caso com o médico.
Publicado em 27/02/2008