Entrevista com o cirurgião Antônio Carlos Weston(*), da Santa Casa de Porto Alegre
Pacientes com câncer colorretal localizado no reto, na posição final do intestino, podem,
após a cirurgia para retirada do tumor, passar por um período transitório ou definitivo em que
apresentam um fenômeno chamado de ejaculação retrógrada. Nesse processo, em vez
de o esperma ser expelido para o meio externo, ele retorna para dentro da próstata.
A explicação é do cirurgião de aparelho digestivo Antônio Carlos Weston,
da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Segundo Weston, a ejaculação retrógrada pode ocorrer em casos como o de tumores
que se infiltrem na região da bexiga e da próstata em que a manipulação cirúrgica
eventualmente provoque lesão da enervação nessas regiões. Essa possibilidade é mais
observada em tumores maiores e diagnosticados tardiamente, uma vez que nos menores e
com diagnóstico precoce a cirurgia vem sendo cada vez mais conservadora, ou seja,
com menor probabilidade de lesões.
O cirurgião esclarece, ainda, que na ocorrência de ejaculação retrógrada o esperma
é absorvido pelo organismo ou eliminado, na maior parte das vezes, pela urina,
sem que esse processo gere efeitos danosos ao paciente. O problema tampouco interfere
na sensação de prazer sexual do paciente, afetando apenas sua sensação de ejaculação.
"É importante que antes da intervenção cirúrgica o médico informe o paciente dessa possibilidade,
para que ele não seja surpreendido", alerta o especialista.
Nessas condições, Weston acredita que a ejaculação retrógrada não gere distúrbios psicológicos
no paciente, o que ocorre mais comumente quando a retirada do tumor provoca dificuldade de ereção.
Ele acrescenta que esse fenômeno pode diminuir a fertilidade, mas adianta que em muitos casos,
dependendo da cirurgia realizada, essa situação é transitória e tende a caminhar para a normalidade.
(*) CRM RS 13910
Publicado em 01/07/2008