Entrevista com o ginecologista Elias Sadalla Filho, do Hospital São Luiz

A ausência de produção de estrógeno durante a menopausa tem, entre diversas outras conseqüências, o efeito de reduzir a libido feminina. A reposição hormonal em mulheres que estão em menopausa é geralmente o caminho adotado para reverter esse quadro e diminuir outros sintomas da falta desse hormônio. O assunto sempre levanta uma série de discussões em função do risco já comprovado de que o uso de estrógeno, por meio de medicamentos, aumenta o risco de ocorrência de câncer de mama. Esse risco é uma realidade em mulheres que têm predisposição à doença, principalmente quando há grande incidência de casos na família, explica o ginecologista Elias Sadalla Filho, credenciado junto ao Hospital e Maternidade São Luiz, de São Paulo.

“Mulheres com histórico de câncer de mama na família ou aquelas que já têm a doença não podem submeter-se à reposição hormonal”, explica o ginecologista.

Até cerca de cinco anos, utilizava-se a reposição hormonal indiscriminadamente para todas as mulheres. Em 2001, estudos revelaram a incidência de risco desse tratamento para pacientes com tendência a desenvolver câncer de mama e, em função da descoberta, o tratamento hormonal foi contra-indicado para esse grupo de mulheres.

Durante a menopausa, o organismo deixa de produzir o estrógeno e as conseqüências disso são várias, sendo a principal delas a osteoporose, doença que atinge os ossos e aumenta a ocorrência de fraturas, podendo, em casos mais graves, levar também ao óbito. A ciência já desenvolveu, entretanto, medicamentos que combatem a osteoporose, como os alendronatos, alternativa que é utilizada em pacientes que não podem fazer uso de hormônios para reposição.

Sadalla explica também que outras conseqüências da menopausa podem ser combatidas com medicamentos passíveis de serem utilizados pela paciente com câncer de mama. No caso de alteração dos níveis de colesterol, por exemplo, que são aumentados no caso do colesterol ruim (LDL) e diminuídos no colesterol bom (HDL), usam-se medicamentos específicos para o problema.

Outro sintoma que também pode ser combatido diretamente são as ondas de calor, típicas desse período, e que são conseqüência de fenômenos vasomotores, causados pela dilatação e retração dos vasos sangüíneos. A ausência do hormônio pode provocar, ainda, quadros de depressão leve, insônia e redução da libido e, para esses sintomas, a indicação pode ser a terapia psicológica.

Sadalla conta que há novas perspectivas em estudo, entre as quais a utilização de substâncias não hormonais que poderiam assegurar os mesmos resultados da reposição hormonal e que poderiam ser utilizadas também por pacientes de câncer de mama.

Publicado em 23/08/2007


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