Entrevista com a nutricionista Daniela Mônaco (*), da Onocamp
Até há poucos anos impopular em muitas sociedades, a alimentação vegetariana vem ganhando adeptos em todo o mundo entre pessoas que acreditam ser essa uma opção de vida mais saudável. “O que importa é ter equilíbrio”, ensina a nutricionista Daniela Mônaco, da Onocamp, clínica oncológica de Campinas, interior de São Paulo.
Daniela adverte que comer muita carne vermelha realmente não é adequado, em função da gordura que esse alimento contém. Outros tipos de carne, como a suína, o frango e alguns peixes também podem conter alto teor de gordura e por isso é preciso optar por porções moderadas – cerca de 100 gramas – em cada refeição.
O vegetariano não enfrenta esse problema, mas tem de fazer escolhas que garantam o aporte necessário de proteínas ao organismo. Isso pode ser feito, por exemplo, com a ingestão de folhas escuras, cereais e leguminosas.
Durante o tratamento contra o câncer, o paciente precisa estar ainda mais atento. Em muitos casos, quem não come produtos de origem animal vai necessitar de suplementos protéicos. Daniela enfatiza que a escolha do suplemento adequado não pode ser feita sem o acompanhamento de um nutricionista ou de um médico. Alguns desses suplementos são hiperprotéicos e hipercalóricos e podem provocar diarréias em quem está sob tratamento quimioterápico.
“Também no aspecto alimentar o paciente não deve se automedicar”, alerta a especialista.
Alguns hábitos alimentares típicos da pessoa vegetariana podem necessitar de pequenos ajustes, observa Daniela. Normalmente, o vegetariano se alimenta com maior quantidade de grãos e alimentos ricos em fibras e que, por serem altamente laxativos, podem exigir uma reavaliação de quantidades.
“O paciente que está se alimentado adequadamente, recebendo aporte de nutrientes em quantidades equilibradas, tende a responder melhor ao tratamento e a sofrer menos com os eventuais inconvenientes causados pela medicação”, ensina Daniela.
CRN-SP 8351
Publicado em 27/11/2008