Entrevista com a técnica em nutrição Cristina Arraes

O aconselhamento dado por nutricionistas para o paciente com câncer que está em tratamento e mesmo depois dele é sempre buscar ter hábito saudável, com redução de consumo de alimentos ricos em gorduras, preparo de refeições que contemplem todos os grupos de nutrientes com ingestão de verduras e legumes, crus e cozidos, pelo menos nas grandes refeições. Verduras e legumes são ricos em vitaminas e, principalmente, em fibras, que ajudam no trato intestinal.

Nem todos, porém, gostam de seguir o conselho. Algumas pessoas não desenvolveram o hábito de incluir no prato uma saladinha com muito verde ou, mesmo, de completar a refeição com legumes como abobrinha, vagem, cenoura e outros. Para facilitar a vida de quem não está acostumado com esses ingredientes, a saída é procurar novas elaborações que ajudem a incorporar esses alimentos no dia-a-dia.

Uma boa dica da técnica em nutrição Cristina Brady Arraes é a utilização de folhas na preparo de sucos, quando a pessoa deve tentar introduzir junto a alguma fruta da sua predileção uma verdura de relevância nutricional ou funcional à sua dieta pela qual não tenha simpatia. Um suco de maracujá pode, por exemplo, ser enriquecido com folhas de couve manteiga. Já as folhas de agrião podem ser batidas junto com um suco de laranja, que ganha em valor nutricional e em frescor. As possibilidades de combinação são quase ilimitadas. “Servidos bem gelados esses sucos são bastante saborosos, nutritivos e apropriados para o verão brasileiro”, acredita Cristina.

Habituada a desenvolver novas receitas que agradem o paladar até mesmo dos pequenos, que costumam ser os mais relutantes quando se trata de verduras, a técnica em nutrição observa que preparações diferenciadas podem ajudar a modificar os hábitos alimentares de toda a família. “Às vezes uma forma diferente de preparação consegue até o milagre de que a criança insista com a mãe para que o prato que leva algum alimento ao qual ela demonstra rejeição seja preparado mais vezes. Após quebrado o preconceito com o nutriente, ele pode ir tomando lugar, aos poucos, em outras receitas, nas quais mantenha mais claramente suas características”, diz a técnica.

Como exemplo, ela sugere que o já conhecido bolo de cenoura, para o qual nem mesmo criança torce o nariz, pode ser adaptado para ser produzido com beterraba ou, até mesmo, com abobrinha. Além de saborosos, esses bolos atraem pelo colorido e não é de hoje que os nutricionistas enfatizam que o prato deve ser agradável também para os olhos. Para quem quiser perder peso, o açúcar do bolo pode ainda ser substituído pelo adoçante apropriado para uso culinário, que pode ir ao fogo sem a conseqüência de ficar com resíduo amargo ao paladar.



Publicado em 21/01/2009



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