Entevista com a nutricionista Gabriela Pereira da Costa, do Ganep
Preparar-se para um tratamento quimioterápico requer alguma atenção à alimentação. A quimioterapia provoca em alguns casos efeitos como náusea, vômitos e enjôos e pode causar ainda inchaço ou feridas na boca, quadros que dificultam a alimentação do paciente.
Infelizmente não há alimentos que possam ser consumidos antes do tratamento e que levem à redução desses efeitos, mas alguns cuidados nutricionais podem deixar o organismo mais preparado para eventuais dificuldades. Estar bem nutrido é condição essencial para uma rápida e satisfatória recuperação durante o tratamento contra o câncer, explica a nutricionista Gabriela Pereira da Costa, do Ganep - Grupo de Nutrição Humana, clínica especializada em nutrição para condições especiais.
Dependendo do tipo de tumor e do estágio da doença, nem sempre o paciente chega à quimio ou à radioterapia com o organismo bem nutrido, o que se consegue tendo uma alimentação equilibrada em proteínas, carboidratos, gorduras, sais minerais e demais nutrientes presentes nos grupos alimentares, informa Gabriela. Alguns tipos de câncer, como os que atingem o sistema gastrointestinal, aumentam o gasto energético e protéico e esse gasto não é reposto adequadamente porque o paciente não tem apetite ou não se sente bem para alimentar-se adequadamente.
"O aconselhável é que a partir do diagnóstico o paciente passe por uma avaliação nutricional para determinar sua condição e poder adequar a alimentação de forma a que volte a ganhar peso", explica Gabriela. Em alguns casos, a perda de peso é bastante pronunciada, de 6 a 8 kg em apenas um mês.
A recuperação do peso e do estado nutricional não é um processo rápido e assim é comum que o paciente chegue à fase de tratamento ainda não plenamente recuperado. O que se consegue até esse momento é fazer com que ele amenize o processo de emagrecimento. Em alguns casos, é preciso complementar a alimentação com suplementos orais.
"Hoje há dietas especiais para pacientes que vão para a rádio ou a quimioterapia e que precisam de nutrientes específicos", revela a nutricionista.
A preocupação com o estado nutricional não se restringe a quem perdeu peso. Alguns, ao contrário, têm ganho de peso após o tratamento e precisam de acompanhamento nutricional, uma vez que a obesidade e o sobrepeso são fatores de risco para o câncer e, portanto, para uma recidiva. Com esses pacientes, Gabriela diz que o trabalho é voltado à reeducação alimentar porque na maioria dos casos o ganho de peso está ligado a uma alimentação inadequada e excessivamente calórica.
Publicado em 14/03/2008