Entrevista com a nutricionista Jamile Lacerda, do HSL
É normal que o usuário de uma bolsa de colostomia tenha a preocupação
de evitar que as pessoas que convivem com ele percebam odores desagradáveis
provocados pelas fezes. Além da higienização regular, é possível
eliminar ou reduzir odores a partir de uma alimentação seletiva,
explica a nutricionista Jamile Maria Sallum de Lacerda, do Centro de Oncologia
do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo.
Existem alimentos que passam por um processo de fermentação no
intestino ou que têm digestão mais lenta e, por isso, causam incômodos
como gases e cheiro forte. “Como o paciente ostomizado não tem seu
sistema gastrointestinal íntegro, ele não completa todo o processo
digestório de forma regular e termina por sentir mais incômodo”,
diz a nutricionista.
A primeira dica de Jamile para tentar diminuir os gases na bolsa é evitar
bebidas gasosas e refrigerantes. Comer com a boca aberta ou mascar chiclete constantemente
aumenta a entrada de ar e também causa incômodo, inclusive porque
esses hábitos enchem a bolsa mais rapidamente.
Para equilibrar o odor, Jamile recomenda a ingestão de carboidratos, como
arroz, batata, cenoura, mandioquinha, chuchu e aveia. Entretanto, esses alimentos
tendem a ser obstipantes, retardando a eliminação das fezes. O
aconselhável é combiná-los com outros itens que eliminam
os cheiros, como iogurte, chá de salsinha e salsão, frutas perfumadas.
As carnes de qualquer tipo, informa a especialista, não tendem a produzir
odores, mas como passam por processo de digestão mais demorado podem provocar
incômodo por formação de gases.
Outra dica para que o intestino funcione regularmente, mesmo com a ingestão
de carboidratos, é comer mamão ou ameixa, que são laxativos,
e agrião, alface, arroz integral, produtos ricos em fibras que ajudam
a formar o bolo fecal.
Segundo a nutricionista, a dieta recomendada para o colostomizado deve ser estudada
caso a caso, levando em conta também os hábitos alimentares anteriores à cirurgia.
Para todos, porém, ela lembra a importância da hidratação,
principalmente para quem se submeteu à retirada do tumor na região
mais alta do intestino. Nesse caso, as fezes são eliminadas ainda líquidas
e a perda de água pelo organismo é bastante pronunciada, o que
requer constante atenção ao volume de líquidos a ser ingerido.
Publicado em 25/06/2008