Entrevista com a nutricionista Cristiane Lorenzano (*)

Usar a alimentação a favor da saúde, principalmente na prevenção de doenças, é um dos objetivos da nutrição funcional, corrente dentro da ciência da nutrição que procura adequar o hábito alimentar à necessidade individual. Especializada no assunto pela Universidade de Brasília, a nutricionista Cristiane Lorenzano explica ainda que a nutrição funcional busca tratar as causas dos sintomas que cada um apresenta e restabelecer o equilíbrio de cada célula, levando em conta os aspectos bioquímicos de cada indivíduo.

Segundo Cristiane, alimento funcional é aquele que além dos nutrientes básicos, como proteínas, carboidratos, gorduras e fibras, contém substâncias que desempenham papel preventivo em relação a uma série de doenças. Essas substâncias são chamadas de compostos bioativos e são eles que dão coloração aos alimentos. Cada cor diz respeito a um grupo principal desses compostos. Os alimentos amarelados, por exemplo, como a mandioquinha, a gema, o milho, contêm luteína, fundamental na prevenção da degeneração da retina.

Alimentos roxos, como a uva ou o suco dessa fruta, o repolho roxo, as frutas vermelhas, são ricos em antocianidinas e flavonóides, poderosos antioxidantes que previnem o envelhecimento. Já os verdes mostram a presença da clorofila, que atua na recuperação das células sangüíneas. Cristiane ensina ainda que legumes como brócolis, couve-flor, repolho, couve de Bruxelas e couve manteiga contêm a substância indol 3 carbinol, que ajuda na prevenção do câncer de mama.

A corrente que a nutricionista defende considera que o leite e seus derivados são dispensáveis a partir dos 7 anos de idade. “Esses produtos têm concentração de estrógeno 300 vezes maior do que o encontrado no ser humano e por isso podem não ser adequados para quem tem um câncer de mama de origem hormonal”, destaca a especialista. Ela lembra ainda que o leite contém uma substância, a IGF-1, similar ao hormônio do crescimento, que poderia contribuir para o crescimento anormal do tecido celular em uma situação de doença.

Para quem está em tratamento quimioterápico, Cristiane dá alguns conselhos: não exagerar em suplementações ricas em antioxidantes é um deles. “A droga quimioterápica produz um estresse oxidativo, por toxicidade, nas células, e por isso grandes quantidades de antioxidantes podem, eventualmente, diminuir o efeito da quimioterapia”, explica a nutricionista.

Para lidar com os efeitos colaterais mais comuns, como enjôos e vômitos, ela aconselha o gengibre. Uma colher de chá de gengibre cru e ralado ou duas ou três fatias de gengibre em conserva podem ajudar. Outra dica é hidratar-se bastante, ingerindo o máximo de líquido que puder, principalmente água. Para dar a ela um gosto diferenciado, é só colocar folhas de hortelã, que aumentam o frescor e auxiliam no sistema digestivo. Outras fontes de hidratação podem ser água de coco natural e chás de erva cidreira ou erva doce, sem açúcar ou adoçante, que também aliviam os gases intestinais.

Para o paciente com câncer colorretal, depois da cirurgia e finalizado o tratamento, o segredo é ter uma alimentação com muita fibra solúvel para facilitar o trânsito intestinal. Campeã de fibras, a aveia pode ser o carro chefe, mas, para completar a quantidade diária de 25 a 30 gramas/dia recomendada pela Organização Mundial de Saúde, pode-se incluir maçã, caqui, melancia, melão e pêra. “Para garantir a ingestão de fibras na quantidade certa, deve-se comer quatro ou cinco porções de fruta, quatro ou cinco de vegetais e duas a três colheres de aveia ao longo do dia”, diz Cristiane. Alimentos ricos em vitamina C também são recomendáveis, como laranja, acerola e abacaxi, ricos em fibras, que melhoram a maciez das fezes e ajudam na defecação.
(*) CRN-SP 7391





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