Entrevista com a nutricionista Paula Cristina Augusto da Costa, da Unifesp
Por preocupação com a saúde, por preferência em função do paladar ou no intuito de ajudar a perder peso, é cada vez mais crescente o número de pessoas que optaram por substituir o açúcar pelo adoçante na hora de tomar um cafezinho ou, até mesmo, na elaboração de sobremesas e doces em geral. Algumas pessoas, entretanto, têm receio de lançar mão desse artifício porque volta e meia circulam notícias, principalmente via internet, acusando uma das substâncias utilizadas na fabricação do adoçante – o aspartame – de ser cancerígeno.
“Não há fundamento nessa alegação, que até agora não foi comprovada por estudos científicos”, afirma a nutricionista Paula Cristina Augusto da Costa, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Segundo ela, o adoçante, usado em quantidades normais e equivalentes às que se empregam para o açúcar, não só não provoca câncer como não causa outro tipo de dano à saúde. A escolha sobre qual adoçante utilizar, explica Paula, depende da preferência individual e da aplicação que será dada a ele, uma vez que alguns quando levados ao fogo perdem o poder de adoçar. Por isso, ela dá algumas explicações sobre os adoçantes mais comuns encontrados no mercado para que você possa fazer a melhor opção.
O aspartame, composto por dois amino-ácidos naturais, é livremente indicado até mesmo para gestantes. Adoçando 200 vezes mais que o açúcar, não é apropriado para culinária porque perde seu poder quando aquecido. Sua principal vantagem é não apresentar sabor residual.
A sacarina, adoçante artificial mais antigo no mercado, é totalmente sintético e não calórico. Pode ser utilizado para a preparação de doces que vão ao fogo porque não perde suas propriedades de adoçante. Sua desvantagem é o gosto residual amargo que aumenta quanto maior for a quantidade empregada. Geralmente, a sacarina é oferecida em associação com o ciclamato, também de origem sintética, apropriado igualmente para culinária. Adoça trinta vezes mais que o açúcar, mas, apesar disso, não é calórico. Por ter sódio em sua composição, o ciclamato não é indicado para quem tem hipertensão, porque pode elevar a pressão arterial.
O steviosídeo é um adoçante natural, extraído de plantas. Adoça 300 vezes mais que o açúcar. Tem sabor residual e não perde as propriedades quando aquecido. Geralmente é produzido em associação com o ciclamato. O acessulfame, utilizado em produtos industrializados como os refrigerantes dietéticos, tem leve sabor residual. Bastante popular na Europa e nos Estados Unidos, o produto vem associado ao aspartame, adoça 200 vezes mais que o açúcar e não perde seu poder quando levado ao fogo.
A sucralose, outro produto sintético, adoça 600 vezes mais que o açúcar e não tem sabor residual. Já a frutose, extraída das frutas, adoça 300 vezes mais que o açúcar, pode ser utilizada em culinária, sendo o único adoçante que consegue produzir calda de doce, tendo o inconveniente de ser tão calórico quanto o açúcar. A restrição para essa substância vai apenas para diabéticos, porque ele interfere no comportamento da glicose no sangue, alerta Paula.
Publicado em 01/08/2007