Entrevista com a nutróloga Lenita Zajdenverg, da UFRJ

A carne vermelha tem sido considerada a grande vilã quando se fala na causa de uma série de doenças, incluindo o câncer, e por isso é cada vez mais comum encontrar pessoas que decidiram abolir esse alimento de seu cardápio. Mas sua condenação taxativa não tem sustenção científica, informa a nutróloga e endocrinologista Lenita Zajdenverg, professora adjunta da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“A carne é uma importante fonte de proteína e ferro que traz grandes benefícios à saúde e retirá-la da alimentação pode causar anemia, principalmente em mulheres que menstruam”, explica a médica.

Quem opta por não se alimentar de carne vermelha ou de aves e peixes precisa compensar essa restrição com grandes quantidades de leguminosas, como feijões, cereais, quiabo, ervilha ou beterraba. Se essa opção for de longa duração, pode até ser necessário buscar uma suplementação de ferro, desde que indicada pelo médico. Isso porque se a quantidade de ferro ingerida for muito grande outros problemas de saúde podem surgir.

Os malefícios causados pela carne só acontecem se a pessoa consumir grandes quantidades, explica Lenita. A chance de ter problemas aumenta se a opção for por carnes gordurosas, como costela, contra-filé ou picanha, uma vez que o nível de colesterol tende a aumentar. Se a pessoa tiver problemas renais, a carne em excesso é ainda mais contra-indicada, porque a proteína é eliminada pelos rins, que precisam, dessa forma, fazer um esforço maior quanto maior for a quantidade consumida do alimento.

“A questão não é, portanto, não comer carne, mas comer em quantidades adequadas sem deixar de completar a alimentação com fibras, cereais, legumes e verduras”, adverte a especialista, lembrando que o problema é que quem come muita carne acaba desprezando outros itens na alimentação que são importantes para a nutrição.

Ela informa que o desequilíbrio na alimentação e o excesso de carne podem ser uma das causas de diversas doenças, entre elas o câncer e principalmente o câncer colorretal. No caso do câncer de mama, estudos mostram que o estrogênio utilizado em grande quantidade na criação de gado e aves tende a aumentar o risco de surgimento da doença.

“Para reduzir esses riscos, o segredo é ter uma dieta balanceada constantemente, cuidado que deve ser tomado tanto na prevenção como após o diagnóstico e durante o tratamento de um câncer”, afirma Lenita. Durante o tratamento quimioterápico, que pode gerar incômodos como náuseas e vômitos, o cuidado em não comer carne em excesso também vale. A opção, nesse período, deve ser alimentos pouco gordurosos e variação no cardápio, para evitar que a repetição dos pratos nas refeições torne ainda mais difícil a alimentação do paciente.

Publicado em 21/05/2007

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