Entrevista com a cirurgiã dentista Ana Miriam Gebara, do Cape-USP
O tipo de alimento ingerido pode facilitar a convivência com as estomatites – aftas - decorrentes da quimioterapia. Alguns alimentos provocam mais dor na região afetada, dificultando a mastigação e o ato de engolir, enquanto outros podem ser consumidos sem incômodos. A cirurgiã dentista Ana Miriam Gebara, do Centro de Atendimento ao Paciente Especial (Cape), da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP), destaca alguns procedimentos capazes de assegurar mais conforto durante o tratamento.
O primeiro passo a ser dado é buscar uma boa hidratação. Como o organismo está debilitado e a mastigação está dificultada, o paciente tende a alimentar-se menos. Por isso, Ana Miriam recomenda muito líquido e, preferencialmente, o uso de isotônicos. “Nessa fase, é preciso encarar a alimentação como se fosse uma medicação”, compara a dentista. Dessa forma, ela recomenda que o paciente fracione mais suas refeições, diminuindo as quantidades, para comer a cada três horas.
“Deve-se alternar um alimento salgado com um doce, com o sal e o açúcar bem diluídos e em menor quantidade que a usual, para não ferir a região interna da boca”, explica a profissional.
A alimentação pode ser pastosa, dando-se preferência a sopas liquidificadas, iogurtes ou leite, por exemplo. A refeição deve ser servida em temperatura de morna para fria, porque as temperaturas extremas – tanto gelada como quente – podem agredir a região.
Segundo Ana Miriam, é ideal que no conjunto das refeições diárias a pessoa tenha consumido alimentos de todos os grupos, como carnes e leite ou equivalentes, fibras, verduras, legumes e frutas, para garantir uma boa nutrição. Embora as frutas cítricas sejam recomendadas na alimentação normal, é melhor evitá-las enquanto houver estomatites na boca, porque elas provocam dor e ardor.
A cirurgiã dentista lembra ainda que após cada refeição é essencial escovar os dentes e utilizar o fio dental. A escova deve ser macia, podendo optar-se pela escova especial para procedimentos pós-cirúrgicos, pela escova para bebês ou, ainda, por uma gaze umedecida com água morna e friccionada nos dentes.
“È importante fazer uma boa higienização para evitar o acúmulo de tártaro nessa fase, porque a baixa imunidade facilita o desenvolvimento de problemas bucais, como a gengivite e a periodontite”, complementa Ana Miriam.
Publicado em 17/09/2008