Entrevista com a nutricionista Daniéla Oliveira Magro, da Unicamp

 

Os cuidados necessários com alimentação, exercícios, uso de medicamentos e outros procedimentos adequados para passar pelo período de tratamento quimioterápico com o mínimo de desconforto podem fazer você esquecer de um pequeno detalhe que é de grande importância para a saúde: a hidratação. Faça frio ou calor, nosso organismo precisa receber água para que tudo funcione bem.

 

Quem não gosta muito de beber água nas quantidades recomendadas – até dois litros por dia -, pode cair na tentação de utilizar outros líquidos, achando que o efeito será igual. Nem sempre é assim, informa a nutricionista Daniéla Oliveira Magro, pesquisadora do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

 

Para variar o paladar, a água consumida pode ser a industrializada com sabor, explica Daniéla. Mas quando a água com sabor é gaseificada não é aconselhável. Isso porque a água gaseificada é equivalente ao refrigerante e pode atrapalhar a digestão, adverte a profissional. Também como os refrigerantes, ela contém conservantes em grande quantidade e pode irritar as mucosas gástrica e intestinal.

 

Em relação aos refrigerantes especificamente, a nutricionista explica que esses produtos contêm sódio, inadequado para hipertensos, e cafeína, que provoca irritação das mucosas. Por esse último motivo, pacientes em tratamento de câncer devem evitar o café e os chás mate e preto.

 

“Mesmo para o café descafeinado o aconselhável é não consumir ou reduzir o consumo, para evitar a sensação de saciedade, principalmente se a pessoa estiver registrando perda de peso”, ensina a nutricionista.

 

Durante tratamentos quimioterápicos, ela pede que o paciente busque ter uma alimentação o mais natural possível e isso significa, quando se fala em hidratação, privilegiar a ingestão de água, água de coco ou suco natural de frutas. Ao mesmo tempo, ela sugere reduzir as gorduras, que dificultam a digestão e podem provocar diarréia e, nesse sentido, trocar o leite integral pelo desnatado é uma boa pedida.

 

“Mesmo que esteja perdendo peso, o que é natural durante o tratamento, é preferível que o paciente busque aumentar a ingestão calórica com maior consumo de carboidratos, acrescentando uma farinha láctea ao leite, por exemplo, do que ingerindo mais gordura, como acontece no leite integral”, diz a nutricionista.  

 

Publicado em 28/06/2007

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