Entrevista com a nutricionista Kátia Camondá Braz, do Hospital do Câncer

A preocupação com a saúde, com a forma física e com o peso tem sido um dos mais fortes motivos para que parcelas significativas da população em países desenvolvidos ou em desenvolvimento se voltem para o consumo de alimentos com menor teor de gordura ou que incorporem adoçantes artificiais. Nesse contexto, o açúcar refinado que era consumido sem preocupação em preparações culinárias ou para adoçar bebidas passou a ser olhado por muita gente como um grande vilão.

“Consumido em quantidades moderadas, o açúcar pode ser uma fonte de aporte calórico importante para responder às necessidades diárias do indivíduo”, afirma a nutricionista Kátia Cristina Camondá Braz, do Hospital do Câncer, em São Paulo.

Descartando crenças de que o açúcar pode ser cancerígeno, Kátia ressalta que há circunstâncias em que recomenda evitar seu consumo. É o caso, por exemplo, de pacientes obesos ou acima do peso, para os quais ela aconselha o adoçante artificial. Ou, ainda, de pacientes em tratamento quimioterápico que apresentem enjôos e náuseas e que passam a ter intolerância ao sabor adocicado. Como o açúcar provoca fermentação durante o processo de digestão, ele pode aumentar o mal-estar e a flatulência.

Outra situação em que Kátia recomenda a suspensão do uso do açúcar é quando o paciente sofre alterações em seu metabolismo e aumento da glicose no sangue. Isso pode acontecer em estágios avançados da doença ou quando tem diabetes ou intolerância à glicose associados.

Segundo a nutricionista, o principal problema causado pelo consumo de açúcar é o aumento de peso e isso se for usado em quantidades excessivas ou em conjunto com outros alimentos calóricos. Ela informa também que não há uma quantidade específica recomendada para todo mundo e que definir quanto se pode ingerir de açúcar depende de fatores diversos, como peso, idade, sexo e tipo de atividade que a pessoa tem.

“Como norma geral, oriento para que o paciente evite preparações muito meladas, tão ao gosto do brasileiro, e que dê preferência ao açúcar mascavo ou cristal, que sofrem processo de industrialização menos intenso”, diz a nutricionista.

Publicado em 05/09/2007

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