Entrevista com a infectologista Maria Zilda de Aquino, do HSL (*)
O recente surgimento de casos de febre amarela no País exige que o paciente com câncer redobre seus cuidados a fim de evitar ser atingido por essa doença de graves conseqüências. Não que o risco de contrair o mal esteja aumentado para quem tem câncer, explica a infectologista Maria Zilda de Aquino, do Hospital Sírio Libanês e do Grupo de Infectologia do Instituto da Criança, ligado ao Hospital das Clínicas de São Paulo. A atenção é necessária porque o sistema imunológico de quem está em tratamento fica debilitado e, por isso, as conseqüências de uma febre amarela nesse paciente podem ser mais devastadoras do que na população em geral.
A febre amarela é uma doença tropical que se contrai por vírus e não tem tratamento específico, explica Maria Zilda. A forma adequada de prevenção é por vacina, tomada a cada 10 anos. Seu efeito é sentido 10 dias após a aplicação e, por isso, quem está em viagem para regiões que apresentam risco deve tomar a vacina com esse prazo de antecedência.
Para o paciente com câncer, de maneira geral, a vacina contra a febre amarela - assim como as vacinas tríplice viral e a anti-varicela - é contra-indicada, porque apresenta uma série de efeitos adversos. Mas essa é uma norma que deve ser avaliada caso a caso, explica a médica, porque a contra-indicação depende do tipo de tratamento quimioterápico que está sendo utilizado, da dosagem das diferentes drogas e do momento de tratamento pelo qual o paciente está passando.
Para a médica, a melhor recomendação a ser dada é que o paciente não viaje para regiões de risco mas, se isso for inevitável, que ele tome cuidado, dando preferência a permanecer em locais fechados, onde a possibilidade de picadas pelos insetos transmissores seja menor. Não há como prevenir de forma adequada apenas com o uso de repelentes ou de roupas fechadas, adverte Maria Zilda.
A recomendação vale até mesmo para o paciente que já tenha sido imunizado antes da ocorrência do câncer, uma vez que não há 100% de garantia de imunização e porque, durante o tratamento, uma vez que o sistema imunológico está debilitado, é possível que essa imunização esteja também sem efeito.
Aos primeiros sintomas da febre amarela - febre, mal-estar, dores no corpo, sangramentos - é preciso procurar o primeiro posto de saúde mais próximo, recomenda a infectologista. "O incômodo é bastante forte e não se confunde com um mal-estar comum", afirma a médica.
(*) CRM SP 25584.
Publicado em 06/03/2008