Entrevista com o cirurgião Antônio Carlos Weston(*), da Santa Casa de Porto Alegre

A radiação, apontada por muitos como fator responsável pelo desencadeamento de cânceres, tem-se constituído forte aliada do paciente que já está enfrentando a doença e inicia seu tratamento. Alguns procedimentos que utilizam a radiação como forma de examinar o organismo são imprescindíveis para verificar a real condição do tumor, explica o cirurgião Antônio Carlos Weston, da Santa Casa de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

“Exames como a tomografia, a ressonância magnética ou de raios X emitem radiação, mas não há trabalhos que mostrem que a exposição à radiação durante sua realização agravem ou acelerem a evolução do quadro do paciente com câncer”, tranqüiliza o médico.

O tratamento radioterápico, de modo geral, tem ganhado importância e eficiência como um dos pilares no combate ao câncer. “Cada vez mais são desenvolvidos equipamentos que têm sua emissão de radiação focada na região a ser tratada, eliminando-se, assim, muitos dos riscos e os inconvenientes de outras áreas do corpo serem atingidas pelos feixes de raios”, explica Weston.

Entre os inconvenientes, o médico ressalta a eventual ocorrência de queimaduras na pele, semelhantes às provocadas pelo sol, que em equipamentos antigos eram mais comuns e atingiam áreas além da especificamente tratada.

Segundo o cirurgião, fontes de emissão de radiação e campos eletromagnéticos, como os gerados por redes de transmissão de energia, telefones celulares ou equipamentos eletrônicos, como televisores ou microondas, não podem ser sumariamente acusados de acelerar o quadro de doença de um paciente com câncer. Ele assegura que não há estudos, até o momento, que mostrem relação entre essas fontes de energia e radiação e o surgimento ou agravamento do câncer.


(*) CRM RS 13910


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