Entrevista com o oncologista José Augusto Rinck Jr. (*), do Hospital A.C.Camargo
Em épocas de grande oscilação de temperatura, em que são comuns períodos de chuva alternando com frio e calor, é comum o paciente submetido a quimioterapia ter receio de pegar uma gripe ou pneumonia e, para esquivar-se do problema, acabar exagerando no cuidado e evitando qualquer saída que o exponha a essa possibilidade. Auto-medicação, seja na forma de vacinas antigripais ou qualquer outra, é uma conduta que nunca deve ser considerada, seja qual for a circunstância. Além disso, nem sempre a quimioterapia aumenta a chance de ocorrência de doenças que costumam acometer a população mais facilmente quando a temperatura oscila, explica José Augusto Rinck Jr., titular do Departamento de Oncologia Clínica do Hospital A. C. Camargo, de São Paulo.
“Tudo depende do tratamento e do tipo de medicamento a que o paciente está sendo submetido, já que alguns quimioterápicos aumentam bastante a chance de imunossupressão, enquanto outros não interferem na imunidade”, explica Rinck Jr.
O nível de risco, bem como medidas preventivas que possam ser tomadas, devem ser assuntos discutidos com o médico em um momento anterior ao do início da quimioterapia, aconselha o especialista. “Antes de começar o tratamento, o médico pode recomendar a vacinação contra a gripe, mas depois de iniciado tudo vai depender do tipo de quimioterapia e do grau de imunossupressão”, avalia o oncologista.
O tipo de vacina que o paciente poderá receber também deve ser definido pelo médico responsável pelo tratamento contra o câncer, já que é grande a variedade desse produto no mercado.
O uso de antigripais vendidos sem receituário nas farmácias também deve ser evitado nessa fase. “O paciente em quimioterapia precisa primeiro ser analisado pelo médico para verificar se a gripe é apenas um quadro viral que se resolve em poucos dias ou se precisará de tratamento mais intenso e, para isso, será necessário um exame de sangue”, diz Rinck Jr.
Como medidas de prevenção, Rinck Jr. lembra que algumas recomendações podem ser seguidas por todos os pacientes, como a de evitar maior exposição nos períodos de baixa imunidade, que, na maioria das drogas utilizadas, se concentram no prazo de sete a dez dias após cada sessão quimioterápica. Entretanto, como esse período pode ser diferente para determinados quimioterápicos, é aconselhável primeiro conversar com o oncologista para determinar o período de maior risco.
Nessa fase, o melhor é evitar locais muito cheios e a excessiva proximidade de familiares que eventualmente estejam gripados. “Não é preciso ficar trancado em casa, mas o melhor é optar por ambientes pouco apinhados, ou seja, em vez de ir ao shopping no sábado, ir na segunda-feira”, exemplifica o médico.
Ele também desaconselha pegar bichos de estimação ou deixar que eles fiquem no colo. Os bichos, por mais limpos que estejam, podem ter bactérias nas patas e unhas, por estarem sempre em contato com o solo.
CRM SP (*) 94128