Entrevista com a cirurgiã dentista Ana Miriam Gebara, do Cape-USP

As estomatites – popularmente conhecidas como aftas – e as mucosites, que são inflamações das glândulas salivares, que costumam afetar pacientes submetidos a tratamento quimioterápico, já podem ser tratadas com facilidade e com resultados praticamente imediatos. A boa notícia é da cirurgiã dentista Ana Miriam Gebara, do Cape – Centro de Atendimento ao Paciente Especial, da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.

Ana Miriam vem desenvolvendo sua pesquisa de doutorado exatamente na área de tratamento de estomatites com laser e é uma entusiasta da técnica. Segundo ela, pacientes acometidos por grande número de aftas – muitas em função de tratamentos de quimioterapia – sentem melhora na primeira sessão de aplicação. “A dor é eliminada imediatamente e o paciente pode voltar a se alimentar sem incômodos”, afirma a especialista. Após a primeira sessão, o paciente mantém aplicações semanais até eliminar o problema.

Embora o tratamento a laser já esteja sendo utilizado em diversos hospitais, quem não puder usar esse procedimento também dispõe de alternativas para resolver a questão. Ana Miriam recomenda fazer bochechos com uma solução à base de bicarbonato de sódio e o uso de uma solução antifúngica, indicada pelo profissional dentista. Esse tratamento deve ser feito por cerca de 15 dias, cinco vezes por dia, e a solução antifúngica deve ser engolida, para eliminar aftas que estejam dentro do trato digestivo.

Para que a mecânica de escovação não seja fonte de dor, pode-se utilizar uma escova macia, do tipo empregado para o pós-implante dental. Essas escovas têm cerdas parecidas com as de um pincel e podem, ainda, ser substituídas por uma gaze embebida em água morna para ser friccionada nos dentes. O uso de creme dental é desaconselhado.

A aplicação de enxaguatório bucal tem de ser feita com cautela. Segundo a especialista, deve-se escolher o colutório à base de clorexidina, sem álcool. Os demais, por conter álcool, podem ferir a boca e só devem ser utilizados se especificamente prescritos pelo dentista.

Segundo Ana Miriam, há outros problemas bucais que podem aparecer durante o tratamento e muitos poderiam ser evitados se antes do início da quimioterapia o paciente fizesse uma consulta ao dentista. “Cáries em início de formação evoluem muito rapidamente com a quimio e a radioterapia e isso poderia ser corrigido num tratamento prévio”, explica a cirurgiã dentista.

Em função da baixa imunidade, o paciente em tratamento também está mais sujeito à periodontite, que é uma inflamação das gengivas que em sua evolução provoca perda óssea e compromete a sustentação do dente. A melhor maneira de evitar o problema é proceder a uma higienização constante da boca, com uso de fio dental e escovação.

Publicado em 25/08/2008


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