Entrevista com o cirurgião oncológico Ademar Lopes(*), do Hospital A.C.Camargo

A detecção precoce do câncer colorretal pode evitar que o tumor aumente de tamanho e se espalhe para outros órgãos. Quando o diagnóstico demora a ser feito, pode acontecer de o tumor ter atingido outras regiões próximas do intestino, como bexiga, vagina, útero ou próstata. Nesses casos a cirurgia torna-se mais extensa e a possibilidade de uma colostomia definitiva é maior, explica o cirurgião oncológico Ademar Lopes, do Departamento de Cirurgia Pélvica do Hospital A. C. Camargo, de São Paulo.

As conseqüências de uma cirurgia mais ampla podem ser diversas, informa o especialista. Em geral, quando o tumor está localizado no cólon, não há conseqüências para a região genital, mas isso pode acontecer se o tumor se encontra na parte mais baixa do reto, por exemplo.

“Há casos em que é preciso retirar a bexiga e o útero, na mulher, ou a bexiga e a próstata, no homem”, informa o cirurgião.

Na retirada da bexiga numa cirurgia de combate ao tumor colorretal, é preciso, além da colostomia e criação de um ostoma para eliminação das fezes, criar também uma derivação urinária. O paciente vê-se , então, obrigado a utilizar duas bolsas, uma para coleta da urina e outra, para as fezes.

“Hoje fazemos com sucesso a chamada colostomia úmida de duas bocas e assim o paciente pode manter apenas uma bolsa para a coleta de fezes e urina”, revela o médico, acrescentando que o Hospital A.C. Camargo já tem cerca de 120 cirurgias realizadas nesses moldes com pleno sucesso. Segundo ele, esse procedimento torna a cirurgia mais simples e reduz os riscos de complicações.

Quando o tumor está em local muito baixo do reto, é possível que durante a cirurgia seja inevitável lesionar alguns nervos da região genital e a conseqüência é que a vida sexual do paciente seja alterada. No caso da mulher, pode ser necessário fazer uma sutura no canal vaginal, que acaba ficando mais estreito, podendo gerar desconforto durante a penetração do ato sexual. Já para o homem, ele pode ter a ereção comprometida. Como do ponto de vista hormonal e psicológico esse paciente continuará a ter libido, ele precisará eventualmente de apoio psicoterapêutico para encontrar novas formas de satisfação sexual. É possível, ainda, proceder a um implante peniano, esclarece o médico.


(*) CRM SP 21092


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