Entrevista com a enfermeira Maria Lúcia Pedras, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz
Após a alta hospitalar, o paciente que fez uma cirurgia de câncer colorretal poderá ter necessidade de realizar curativos em casa por mais algum tempo. Os cuidados que deverá tomar dependem do tipo de operação feita em função da localização e tamanho do tumor retirado, explica Maria Lúcia Pedras, enfermeira-chefe da Unidade de Gastroenterologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo. Quando a incisão ocorreu na região abdominal mediana - um pouco abaixo do umbigo -, o curativo permanece por 24 a 48 horas em média. Depois, a região deve ser lavada com água e sabonete neutro, sem esfregar. Se houver algum ponto de drenagem, deve-se tomar o cuidado de cobrir o curativo com plástico limpo antes da higienização.
Maria Lúcia lembra que, antes de fazer o curativo na região operada, é preciso lavar as mãos com água e sabonete. No ponto da drenagem, aplica-se soro fisiológico com a ajuda de seringa e agulha e o tamanho apropriado será informado pela equipe de saúde antes da alta. A região deve ser protegida com gaze esterilizada, fixada com esparadrapo antialérgico.
Existem no mercado curativos com diferentes capacidades de absorção, incluindo alguns que eliminam ou reduzem odores. A orientação sobre que tipo utilizar deve ser obtida com a equipe de atendimento do hospital, no momento da alta.
Quando a retirada do tumor leva à necessidade de colostomia e, em conseqüência, o uso de uma bolsa para coleta externa das fezes, a equipe de atendimento também orienta sobre a escolha do melhor equipamento para cada caso e os cuidados de limpeza a serem adotados. O dispositivo poderá ser uma peça única ou ser constituído de placa e bolsa separadas.
Como a placa é trocada a cada cinco a sete dias, é necessário higienizar cuidadosamente o local para evitar a infiltração de fezes, explica a enfermeira. Também é preciso higienizar a bolsa periodicamente.
A localização do tumor no terço inferior do reto ou no canal anal pode levar à amputação do reto e, nesse caso, o períneo – espaço entre os órgãos genitais e o ânus - é suturado. Esse corte é de cicatrização mais complicada, podendo demorar até três ou quatro meses para ser completado. A higienização do local deve ser cuidadosa, com uso de soro fisiológico e compressa absorvente, e precisa ser feita por outra pessoa, já que é de difícil acesso e visualização.
Publicado em 01/06/2007