Entrevista com o mastologista Mário Mourão Netto (*), do Hospital do Câncer, de São Paulo
O número de pacientes com câncer de mama cujos médicos optam pela dupla mastectomia tem aumentado sensivelmente.
No Brasil, a dupla mastectomia vem sendo utilizada tanto como forma de tratamento - quando o câncer se instalou nas duas mamas,
como por profilaxia, ou seja, para prevenir a ocorrência de tumor na mama sadia, explica o mastologista Mário Mourão Netto,
do Hospital do Câncer A.C. Camargo, de São Paulo. Ele informa que como prevenção o procedimento é indicado quando há suspeita fundamentada,
ou seja, quando os exames radiográficos mostram tecido denso que é considerado de risco. Outros fatores que podem levar à retirada das
duas mamas são a indicação por biópsia ou se há antecedente familiar significativo.
"Esse procedimento requer muita prudência e não pode ser banalizado", adverte o médico, acrescentando que hoje há recursos para pesquisa
em profundidade, principalmente com o uso da ressonância magnética, para indicar a malignidade de grupamentos de microcalcificações,
o que pode afastar a necessidade da mastectomia dupla.
Quando utilizada com o fim de prevenção, a cirurgia retira 90% do tecido, conservando-se pele, mamilo e aréola.
Apesar do alto índice de sucesso do procedimento, o médico enfatiza a necessidade de que a decisão pela cirurgia seja tomada em consenso
por uma equipe multiprofissional que inclua mastologista, oncologista, cirurgião plástico, oncogeneticista e psicólogo porque a cirurgia,
além de ser um procedimento invasivo e agressivo, pode causar processos inflamatórios e gerar seqüelas no comportamento sexual e afetivo da paciente.
A alternativa para a dupla mastectomia em pacientes de risco é a quimioterapia, porém nesse caso a paciente passa a ter de conviver
com eventuais efeitos colaterais. Mesmo assim, esse pode ser o procedimento indicado em pacientes que correm riscos maiores numa cirurgia.
(*) CRM - SP 13447.
Publicado em 19/03/2008