Entrevista com a psico-oncologista Maria Lúcia Ferreira, do Projeto Fênix
Uma forma recomendada por médicos e psicólogos para melhor se lidar com uma doença crônica ou de tratamento prolongado é o compartilhamento de experiências com outros pacientes e a busca de apoio em grupos de pacientes e familiares. Essa recomendação é também uma realidade no caso de pacientes com câncer, que podem encontrar suporte na troca de vivências propiciada em grupos de ajuda.
Em geral, encontros promovidos por associações possibilitam que o paciente sinta estar num ambiente em que pode falar de suas dores e dificuldades e, ao externar seus problemas, encontre com mais facilidade o caminho para superar os obstáculos, entender o processo que está atravessando e aderir com mais tranqüilidade ao tratamento que lhe foi recomendado.
Percebendo a necessidade de suporte psicológico apresentada pelo paciente com câncer, um grupo de médicos e psicólogos criou, há pouco mais de um ano, um programa de atendimento que vem sendo oferecido gratuitamente a pacientes e familiares. Batizado de Projeto Fênix, o programa prevê reuniões semanais com um grupo de no máximo 20 pessoas. Durante duas horas, o grupo desenvolve trabalhos diversos que visam a propiciar melhor entendimento sobre a doença e suas conseqüências emocionais e a dar ferramentas que lhes propiciem melhores condições psíquicas para lidar com as dificuldades.
Entre esses trabalhos, a psicóloga Maria Lúcia Ferreira, idealizadora do projeto, enumera aulas de meditação, de eutonia (técnica que auxilia no trato da dor), prática de visualização (uma forma de introspecção para entendimento da doença) e técnicas de relaxamento. A intenção de Maria Lúcia é ampliar o projeto a ponto de poder formar grupos que funcionem diariamente.
Outra idéia da psicóloga é promover cursos que preparem voluntários para lidar com o paciente com câncer. “Muitas pessoas têm disposição para atuar como voluntários, mas não estão preparadas para lidar com o medo que a doença provoca nelas mesmas e, por isso, acabam não conseguindo prestar o apoio que poderiam”, avalia Maria Lúcia.
Para ela, o trabalho em grupos de pacientes e familiares é fundamental na superação das dificuldades impostas pelo tratamento complexo que o câncer exige. “Além de encontrar suporte profissional, o paciente acaba recebendo o apoio também dos demais pacientes e familiares e encontra novas pessoas para procurar em momentos que considere especialmente difíceis”, avalia a especialista.
Publicado em 14/11/2007