Entrevista com a psicóloga Andréa Cibele Alves de Lima

O medo e a incapacidade de amigos e parentes de lidar com momentos difíceis e dolorosos podem criar situações delicadas para o paciente com câncer. Num período em que enfrenta o tratamento e geralmente precisa de apoio por parte da família e do círculo de relacionamentos, é possível que ele se depare com pessoas íntimas que não conseguem manter proximidade ou oferecer-lhe a ajuda de que necessita. Pessoas que não agüentam o tranco tornam-se ausentes e podem criar ainda mais desconforto à pessoa em tratamento.

Segundo a psicóloga Andréa Cibele Alves de Lima, que presta atendimento na Ordem Hospitaleira São João de Deus, em São Paulo, o afastamento em relação a um doente é uma atitude de defesa. Por questões internas, a pessoa se afasta ou, quando está próxima, sua incapacidade de lidar com o problema fica transparente.

“Esse tipo de comportamento pode ser observado, por exemplo, no caso de um divórcio ou perda de emprego, com pessoas que não querem estar com as partes envolvidas porque não conseguem encarar a situação”, explica Andréa.

Uma forma de impedir que a rejeição seja um fator adicional de fragilização do paciente é mostrar a ele que o afastamento do amigo ou parente é conseqüência exclusivamente de sua incapacidade de enfrentar o problema. Eventualmente com a ajuda de um profissional, o paciente terá condições de entender esse afastamento e o fato poderá deixar de ter grande importância para ele.

“Se for mostrado ao paciente que a pessoa pode ter razões internas que não são conhecidas, ele terá oportunidade de racionalizar a situação e não terá sua auto-estima ainda mais abalada”, acredita a psicóloga.

Para Andréa, a família não deve procurar aproximar o paciente da pessoa que se afastou, a não ser que haja mediação de um terceiro para sentir se essa é uma possibilidade real. Dependendo da reação da pessoa que se distanciou, o doente pode passar por uma situação ainda mais complicada, se o contato deixar ainda mais evidente que há rejeição.

O ideal, acredita Andréa, é que os familiares e amigos que conseguem manter proximidade com o paciente de forma tranqüila procurem suprir a ausência dando apoio e carinho ainda mais intensamente.

Publicado em 19/09/2007

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