Entrevista com o cirurgião plástico Luiz Eduardo Felipe Abla (*), do Hospital Pérola Byington

Aproveitar o embalo de uma mastectomia e promover mudanças estéticas de impacto é pouco aconselhável. O melhor, em alguns casos, é deixar a reconstituição da mama para um pouco mais tarde.

A evolução técnica e de materiais permite que se faça a reconstituição da mama afetada por um tumor imediatamente após a retirada do câncer e, também, que a paciente promova alterações de ordem estética que podem atuar como fator positivo em sua reconquista de autoestima, às vezes afetada pela doença.

Há casos, porém, em que a paciente tem de esperar algum tempo para submeter-se à cirurgia de reconstrução, explica o cirurgião plástico Luiz Eduardo Felipe Abla, professor dessa especialidade na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor do Departamento de Cirurgia Plástica do Hospital Pérola Byington, de São Paulo.

“A decisão de adiar a reconstrução para um momento mais adequado é definida pela equipe multidisciplinar, composta de mastologista, cirurgião plástico e oncologista”, explica Abla. Ele acrescenta que diversos fatores interferem nessa decisão, mas o adiamento está estreitamente ligado às condições de saúde da paciente.

“Questões como excesso de peso, obesidade ou hipertensão podem ser decisivas para o adiamento”, afirma o cirurgião plástico. Essas condições podem aumentar o risco de complicações, porque a cirurgia pode durar mais tempo, ser de maior porte e, por isso, constituir um risco aumentado ao qual a equipe não quer submeter a paciente.

O estadiamento do tumor também interfere na decisão. Não que a cirurgia vá interferir na evolução da doença, explica Abla, mas porque qualquer eventual complicação da cirurgia plástica, que demande maior tempo de recuperação, pode atrapalhar o andamento do tratamento contra o câncer.

“Como a reconstrução mamária pode ser realizada a qualquer tempo – e há casos de reconstrução feita depois de alguns meses e até cinco anos após a cirurgia -, é melhor que a paciente passe por essa etapa quando não houver mais riscos”, raciocina o médico.

Abla também revela que muitas pacientes querem aproveitar o momento da reconstrução para concretizar antigos sonhos, como o de aumentar a mama. “Não há impedimento para isso, desde que prevaleça o bom senso”, adianta o cirurgião. Ele sempre desaconselha os exageros, mas admite fazer aumentos dentro de padrões aceitáveis.

“Se a paciente tiver de fazer um tratamento radioterápico depois, a prótese exagerada não permite que o radiologista direcione corretamente os feixes e a aplicação acaba sendo prejudicada”, explica Abla.

(*) CRM – SP 62215

 

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