Entrevista com a mastologista Maria Augusta Bernardini, do HC-SP

Em função de condições clínicas ou por uma série de outros motivos, nem sempre a paciente com câncer pode fazer a restauração da mama no momento ou logo após a cirurgia para a extração do tumor. Para essas pacientes, existem alternativas de próteses externas que asseguram a restauração da boa aparência e a manutenção de sua vida social sem constrangimentos.

Existem diversos tipos de prótese mamária externa, explica a mastologista Maria Augusta Bernardini, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Em média, é permitido começar a usar esse tipo de prótese cerca de uma semana a dez dias após a cirurgia, quando os pontos e drenos já foram retirados.

Embora existam lojas bem aparelhadas para ajudar na escolha da prótese adequada a cada mulher, é habitual que a indicação do formato da prótese seja feita pelo médico. Há formatos de gota, triangular ou com perfil mais alto, por exemplo, e a escolha é feita em função da mama remanescente, buscando-se manter a simetria.

Os materiais também são variados, explica a médica, podendo ser de silicone, gel, extrato mineral, poliuretano, isopor ou fibra. O silicone oferece a vantagem de peso, consistência e textura mais próximos da mama natural, mas a opção final é feita pela paciente, em função de preço ou de preferência. Todos os materiais são antialérgicos, explica Maria Augusta.

As próteses externas têm longa durabilidade, sendo a de silicone a mais durável, já que pode ser usada diariamente durante anos. A manutenção, independentemente do material empregado, é simples: ela pode ser lavada com água e sabão comum. Há modelos que dispõem de fita adesiva, que adere à pele e, nesse caso, pode ser necessário trocar o adesivo que com o tempo perde sua capacidade de aderência.

As próteses podem ser colocadas diretamente sobre a pele ou dentro do sutiã comum ou feito especialmente para essa finalidade, com a inclusão de uma bolsa interna. Também existem modelos de sutiã e maiô que contêm prótese embutida. Para dormir, a paciente também pode escolher próteses feitas com material leve, como a fibra.

Maria Augusta explica que após a escolha da prótese externa, é aconselhável leva-la ao médico para verificar se o modelo está adequado e bem ajustado à paciente. Como as cicatrizes da cirurgia são diferentes para cada paciente, o médico verifica se a prótese não está em atrito com a região operada, de forma a evitar a ocorrência de irritações na pele.

Publicado em 26/07/2007

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