Entrevista com Cândida Carvalheira, presidente da Associação Brasileira de Ostomizados
Existem diversos acessórios para dar maior conforto ao paciente que fez uma cirurgia para retirada de um tumor no cóln ou no reto e precisou de uma ostomia, que é a criação de um ostoma ou estoma, orifício na parede abdominal pelo qual as fezes possam ser eliminadas.
Além da bolsa de colostomia, utilizada para a coleta das fezes e que está disponível em vários modelos, há acessórios que podem ser utilizados junto com ela, conforme a necessidade do paciente. São produtos importados e alguns - como pós e pomadas - estão incluídos na tabela de procedimentos do Serviço Único de Saúde (SUS), mas nem sempre são encontrados nos serviços públicos de saúde, informa Cândida Carvalheira, presidente da Associação Brasileira de Ostomizados (Abraso). Quando estão disponíveis, é preciso cadastrar-se na Secretaria Estadual de Saúde e ter indicação médica para conseguir acesso a eles. Também podem ser adquiridos em lojas especializadas, como as que comercializam produtos cirúrgicos.
Um dos acessórios é o cinto de ostomia, que é enrolado no abdômen e mantém presas as alças encontradas em algumas bolsas. Como seu preço é alto - cerca de R$ 70 - alguns pacientes optam por confeccionar os cintos eles mesmos.
Fabricantes internacionais também desenvolveram uma pomada para dissimular irregularidades na região do abdômen criadas a partir da cirurgia. Eles preenchem dobras, fissuras e outras irregularidades na superfície da parede abdominal, tornando a região mais uniforme. Em líquido ou pó, existem produtos que podem ser aplicados na pele para ajudar na adesão da bolsa, reduzindo o risco de irritações. Para completar, há também o removedor de fitas, utilizado na limpeza do adesivo eventualmente preso à pele após a retirada da bolsa.
Há, ainda, a cobertura para bolsas, feita em algodão ou em tecido sintético misturado ao algodão, que é acomodada em cima da bolsa para maior proteção e segurança. O acessório pode ser utilizado para camuflar a bolsa em momentos de intimidade.
Segundo Cândida, no Brasil não existem fabricantes de roupas especiais para esse segmento: "Quem se sente mais confortável tendo uma roupa diferenciada, que ajude a dissimular eventuais marcas da cirurgia, precisa exercer sua criatividade, seja colocando o zíper na lateral ou desenhando modelos que permitam ir à praia e preservar a intimidade simultaneamente".
Publicado em 14/04/2008