
Após adaptação, ostomizado pode levar vida norma.
Variedade de modelos e características de bolsas de colostomia auxilia pacientes submetidos à retirada de tumor no colón ou no reto.
Entrevista com Cândida Carvalheira, fundadora da Abraso.
Ao fazer uma cirurgia para retirada de um tumor no colón ou no reto, muitas vezes o paciente terá também que fazer uma ostomia, que é a criação de um ostoma ou estoma, orifício na parede abdominal pelo qual as fezes possam ser eliminadas em consistência e quantidade variáveis. O ostoma normal é vermelho ou rosa vivo, brilhante e úmido. A pele ao seu redor deve estar lisa, sem vermelhidão, coceiras, feridas ou dor. O ostoma, por suas características, não poderá ser controlado voluntariamente e, por essa razão, o paciente precisará utilizar uma bolsa de coleta, a chamada bolsa de colostomia.
Existem diversos tipos e modelos de bolsas de colostomia no mercado, informa Cândida Carvalheira, que fundou a Abraso – Associação Brasileira de Ostomizados – há 21 anos, após realizar uma ostomia e deparar-se com dificuldades de informação e de acesso a materiais. Ela explica que a escolha do modelo mais adequado, feita em conjunto pelo paciente, médico e equipe de enfermagem, depende do tipo de pele e da cirurgia realizada e da melhor adaptação do paciente.
A bolsa de colostomia é fabricada em material plástico e dispõe de adesivos para ficar afixada ao corpo. É um produto descartável, fornecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde no modelo e quantidade recomendados pelo médico, mas também pode ser encontrado à venda em lojas de produtos cirúrgicos. A Abraso vem defendendo a necessidade das bolsas serem comercializadas em farmácias e drogarias para facilitar o acesso do paciente.
A bolsa de colostomia pode ser drenável ou fechada. A bolsa fechada é indicada quando o tipo de cirurgia realizada permite fazer uma lavagem do intestino com uso de equipamento especial. A lavagem é feita no horário de preferência do paciente, uma vez ao dia, e o processo demora cerca de uma hora. Ao final, a bolsa é colocada novamente para coleta eventual durante o dia. Já o modelo drenável conta com uma abertura para esvaziamento. A bolsa é esvaziada e lavada, tendo-se o cuidado de não molhar o local do adesivo para evitar danos.
A substituição da bolsa por uma nova deve seguir a orientação do fabricante. Há modelos que precisam ser trocados a cada dois dias, outros podem durar até sete dias. Esse prazo pode ainda variar conforme a pessoa. Alguns pacientes desenvolvem alergia ao adesivo e, por isso, precisam trocar de modelo até encontrar o que lhe seja mais adequado. Outros precisam aplicar pomadas de proteção antes de colar o adesivo, explica Cândida.
Adaptando-se a determinado modelo de bolsa, o paciente pode levar uma vida normal, garante a representante da Abraso. Ela sugere que todo paciente ostomizado busque apoio e auxílio nas entidades de ostomizados de sua região para receber informações de como acessar os serviços de saúde para fornecimento do material necessário. Ao mesmo tempo, lembra a importância de obter informações sobre a alimentação adequada, de forma a evitar transtornos como a diarréia e outras alterações.
Publicado em 30/01/2007