Amor incondicional, paciência e companheirismo são algumas das características dos animais de estimação que podem ajudar a levantar o astral de quem está passando pela rotina de um tratamento contra o câncer. A opinião é da psicóloga Daniela Achette, que integra os serviços de psicologia prestados pela Santa Casa de Misericórdia e do Hospital Sírio Libanês de São Paulo.

Daniela se baseia em sua experiência clínica e estudos feitos em países como a Austrália para afirmar que pessoas que têm um mascote – em geral um cão ou um gato - conseguem, ao passar por um período de tratamento de saúde, o benefício de reduzir seu nível de estresse e controlar a pressão arterial. Alguns desses estudos observaram que interagir com o animal de estimação provoca liberação de endorfina e adrenalina, hormônios ligados à sensação de prazer e bem-estar.

“Ao passar por uma cirurgia, o paciente com câncer pode sentir rejeição e vê sua auto-estima baixar em conseqüência de uma eventual mutilação e, nesse momento, a aceitação incondicional do animal propicia instantes de tranqüilidade e alegria que o ajudam a se distanciar da dor e da angústia por causa da troca que ele estabelece com o mascote”, explica a psicóloga.

O convívio com o animal proporciona benefícios físicos, sociais e mentais. Os físicos porque a pessoa se movimenta para caminhadas ou brincadeiras no espaço da casa, e os sociais e mentais, na medida em que, ao se dedicar ao bicho de estimação, a pessoa se vê prestando atenção a outro ser.

Daniela lembra que é preciso que o animal esteja bem tratado, limpo e vacinado, para evitar que o paciente corra riscos na fase de baixa da imunidade causada pelo tratamento quimioterápico. Os cuidados com a saúde do animal e com sua vacinação devem ser discutidos com o médico e com o veterinário previamente e é importante que o paciente conte com o auxílio de outras pessoas da família para manter a higiene do mascote em dia.

O efeito positivo do convívio com mascotes é sentido tanto por pacientes homens como mulheres e é especialmente benéfico para o paciente pediátrico. Para aqueles que não têm animais domésticos antes de iniciar o tratamento, a psicóloga diz que a eventual adoção de um, nesse momento, tem de ser analisada caso a caso.

“A inserção de uma nova situação durante a fase de tratamento tem de ser bem pensada para não se criar um foco de estresse adicional e a decisão dependerá principalmente da empatia que o paciente tenha ou não com animais domésticos”, afirma a especialista.
O médico Vicente Odoni Filho, chefe da Unidade de Câncer Infantil do Itaci-Instituto da Criança, é defensor entusiasmado do apoio propiciado à criança pelo animal doméstico. “Se a criança já tem o bicho, não deve ser afastada de seu convívio, desde que sejam tomadas as precauções quanto à limpeza e saúde do animal; e se não tem, incentivo que os pais adotem um animal”, informa. Ele não restringe a crianças o benefício do convívio com bichos de estimação e considera que para qualquer faixa etária a companhia e amor por eles proporcionados são ainda mais importantes quando se está fragilizado em função de uma doença.

Por isso é que os pequenos pacientes do Itaci recebem mensalmente a visita de animais e convivem com eles na brinquedoteca, no ambulatório e nas demais dependências do hospital. As visitas fazem parte do projeto Pet Smile, criado e coordenado pela médica veterinária Hannelore Fuchs. O Pet Smile conta com uma equipe de voluntários que, acompanhados de cachorros, gatos, chinchilas, coelhos e cobaias, visitam pacientes em hospitais uma vez por mês.

O grupo visita pacientes que concordaram em receber os animais e o resultado é sempre muito bom, avalia Hannelore. “A criança consegue interagir com o bicho e se descontrai, assim como seu acompanhante, e a reação do paciente adulto é igualmente positiva, com a diferença que ele verbaliza mais”, conta a veterinária.

Publicado em 13/09/2007

Este serviço de utilidade pública conta com o apoio institucional das entidades de defesa e divulgação da causa do câncer.
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