Entrevista com o ator Amaury Mendes, dos Médicos do Barulho
Seguindo a linha de atuação criada na década de 80 nos Estados Unidos e popularizada no Brasil pelos Doutores da Alegria, um grupo de atores de Juiz de Fora, interior de Minas Gerais, decidiu fundar os Médicos do Barulho, uma organização não governamental que tem como objetivo levar conforto por meio de brincadeiras e palhaçadas a quem está em internação hospitalar.
Em geral, grupos de atores que trabalham para público hospitalizado têm seu foco no paciente infantil. Esse é também o caso dos Médicos do Barulho que, entretanto, não se limitaram a essa faixa etária em suas visitas a hospitais. Atualmente, a ONG, presidida pelo ator mineiro Amaury Mendes, visita pacientes adultos, muitos deles internados para tratamento contra o câncer.
Criada há 12 anos, a ONG já expandiu sua atuação para Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Nesta última, faz visitas aos hospitais do Inca – Instituto Nacional do Câncer, apresentando-se para pacientes infantis e, também, adultos, principalmente para pacientes com câncer de mama, revela Mendes.
Com 30 integrantes, grande parte dos quais trabalhando como voluntários, os Médicos do Barulho geralmente chegam ao leito do paciente em duplas. Eles pedem licença para se apresentar e, se há receptividade, fazem palhaçadas, mágicas e brincadeiras improvisadas que em média duram 15 minutos.
“Às vezes o paciente não quer brincar, quer apenas conversar, e há casos em que a situação exige que fiquemos mais tempo, como ocorreu com um paciente com quem permanecemos durante uma hora e meia”, conta o ator.
O efeito é sempre bom, acredita o presidente da ONG. Embora não seja propriamente um tratamento, prescrever brincadeira pode ajudar, explica Mendes, porque faz o paciente esquecer por um tempo das dificuldades que enfrenta e ajuda a liberar endorfinas, hormônios responsáveis pela sensação do prazer.
Quem participa do grupo tem de atender a algumas exigências: deve ser ator e ter bagagem teatral. Se aprovado após a seleção inicial, o candidato precisa ainda passar por oficinas que incluem aulas de voluntariado.
Publicado em 10/12/2008