Entrevista com o engenheiro civil Roberto Watanabe

O feng shui pronuncia-se fan suei é a arte milenar chinesa que busca a harmonização das energias do ambiente, com o objetivo de otimizar energias e sentimentos positivos para a pessoa que está inserida nesse ambiente ou reduzir e, em alguns casos, eliminar energias negativas.

Segundo o engenheiro civil Roberto Massaru Watanabe, especializado no tema, existem diversos tipos de energia nos ambientes. Essas energias são físicas, como o campo magnético, mas não são vistas pelo olho humano. No caso do campo magnético, por exemplo, ela pode ser constatada com o uso da bússola. Algumas não podem ser sentidas, como a movimentação do corpo em função da rotação da Terra, e outras, sim, como a energia proveniente do sol, da qual não tomamos consciência na nossa rotina diária.

Todas as energias atuam de alguma forma sobre o organismo, explica Watanabe. Assim como a agulha da bússola balança em função do campo magnético, há também efeitos sobre o sangue, que tem entre seus componentes o óxido de ferro. Para a filosofia do feng shui, a posição do corpo em relação às energias do ambiente implica diferentes níveis de oxigenação e de irrigação sangüínea das diversas partes do organismo.

O raciocínio, os sentimentos, a disposição física e mental também mudam em conseqüência da irrigação sangüínea e, em última análise, da forma como as energias incidem sobre a pessoa. Por isso, a tradução do feng shui mais difundida hoje no Ocidente é sua aplicação sobre a disposição das construções e dos ambientes internos.

Especialistas nessa arte chinesa estudam cada ambiente e determinam a melhor posição dos objetos e móveis de forma a que, quando ocupados por seus usuários, as energias possam exercer sua melhor influência sobre eles. "O que importa, por exemplo, não é a posição da cama, mas a posição em que a cabeça da pessoa ficará no ambiente do quarto", explica o engenheiro.

Ele acrescenta que cada ambiente tem de ser estudado separadamente e que não existem fórmulas que possam ser aplicadas a todos os locais ou construções. Isso porque os diversos materiais empregados em cada construção afetam o campo magnético e podem gerar pequenas distorções, que precisam ser consideradas no momento de escolha da colocação de móveis e objetos em geral. Essa escolha é ditada apenas pelo ambiente físico e não varia conforme a pessoa que ocupará o espaço.

Segundo Watanabe, o feng shui não modifica comportamentos, ou seja, não resolve questões como problemas financeiros, de relacionamento ou saúde. Ele apenas potencializa tendências e, por isso, modificar situações concretas requer trabalho e disposição de cada um para a mudança. A técnica também não é curativa, mas pode ajudar na medida em que diminui o efeito de energias que podem atuar negativamente sobre a disposição e saúde e otimizar o que pode colaborar numa recuperação.

Para um paciente em tratamento ou recuperação incluindo para o paciente de câncer, que em geral passa por tratamento radioterápico, Watanabe explica que o feng shui pode ser uma ferramenta auxiliar para o fortalecimento do organismo. A técnica dificilmente poderia ser aplicada num quarto de hospital, onde a cama está colocada junto a equipamentos de acompanhamento e controle. Mas no quarto da residência a disposição da cabeceira da cama pode ajudar a que as energias do ambiente concorram para a recuperação, facilitando o fluxo sangüíneo e a oxigenação do corpo.


Publicado em 29/11/2007

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