Entrevista com o oncologista Luiz Onofre Carvalho (*), do Centro Goiano de Oncologia

Estar equilibrado emocionalmente pode ser a diferença entre o bom e o mau resultado de um tratamento contra o câncer. Pessoas que se apegam a crenças e atitudes negativistas tendem a obter resultados menos eficientes, enquanto aqueles que optam por agir positivamente, buscando informações e tendo atitudes mais participativas aumentam suas chances de melhora.

Segundo o oncologista Luiz Onofre Rezende de Carvalho, do Centro Goiano de Oncologia, o momento do diagnóstico é sempre difícil e chocante para a grande maioria dos pacientes. A partir daí, entretanto, a forma de lidar com a situação pode variar. Em sua experiência clínica Carvalho tem constatado que após o choque inicial muitos pacientes buscam alternativas para conseguir se reequilibrar.

"Sempre indicamos uma terapia psicológica para apoiar o paciente, mas é comum que eles também busquem outros caminhos, como os oferecidos pela medicina complementar ou pela religião", relata o médico.

Se a terapia complementar escolhida pelo paciente não conduz a efeitos danosos ou que conflitem com o tratamento, Carvalho não opõe obstáculos, sempre alertando se há ou não, na técnica especificamente eleita pelo paciente, benefícios comprovados. No caso da religião, o médico vê grandes benefícios.

"Tenho visto que a religião, principalmente pelo apoio que os outros integrantes do grupo podem oferecer, é bastante benéfica", acredita o médico, observando, porém, que em casos raros algumas prometem curas milagrosas e nunca comprovadas.

Carvalho conta ainda que muitas mulheres com câncer de mama suportam mais facilmente toda a fase do tratamento, mas, no final de todo o processo, acabam por apresentar um quadro de depressão. "É como se fosse uma depressão tardia que, se não for trabalhada previamente, evolui para um processo similar ao de luto, que necessita de apoio psicoterapêutico", explica o oncologista.

(*) CRM GO 7634

Publicado em 07/02/2008

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