Entrevista com a psicóloga Cláudia Baroni, da Abcancer
A moda dos livros de auto-ajuda chegou há alguns anos e, parece, veio para ficar. Existem hoje livros de auto-ajuda para praticamente qualquer assunto e os autores são os mais diversos, desde profissionais até quem passou por determinadas experiências e julga poder repartir o conhecimento adquirido com o público. Também sobre doenças e como lidar com elas é grande o leque oferecido em livrarias, mas é preciso tomar cuidado.
“Não costumo indicar esse tipo de literatura aos meus pacientes porque acredito que cada pessoa tem uma forma particular de entender, sentir e reagir a uma doença e os livros de auto-ajuda não contemplam essa individualidade”, afirma a psicóloga Cláudia Sofia Ferrão Baroni, membro do Conselho Científico da Associação Brasileira do Câncer (Abcancer).
A generalização dos sentimentos – um dos riscos da literatura de auto-ajuda – é a principal restrição de Cláudia, que teme que o paciente passe a sentir a necessidade de se identificar com as emoções descritas na obra. Outra restrição é que muitas obras falam em cura do câncer, por exemplo, a partir de tratamentos alternativos que não são comprovados cientificamente e que podem afastar o leitor do tratamento adequado a seu caso.
Cláudia também identifica que algumas obras tendem a tratar dos problemas vividos pelo paciente de forma superficial, o que pode escamotear para o leitor suas mais profundas sensações e percepções do momento que está vivendo.
“Quem opta pelo caminho da auto-ajuda pode buscar grupos de pacientes onde as discussões são direcionadas por um profissional em condições de analisar as situações colocadas pelo grupo e ajudar os participantes a entender seus sentimentos”, afirma a psicóloga.
Para Cláudia, se optar pela leitura de livros de auto-ajuda que tratam de doenças em geral ou de câncer em particular, o paciente deve se munir de senso crítico apurado para conseguir separar claramente o que é a experiência vivida pelo autor de sua própria vivência. Em dúvida, o melhor caminho é buscar discutir suas emoções e angústias com o médico ou com um psicólogo.
Publicado em 16/08/2007