Entrevista com a fisioterapeuta Iara Rodrigues da Silva, da Clinionco
Fundamental para qualquer pessoa ter boa qualidade de vida, o exercício físico é especialmente recomendado ao paciente com câncer - após o tratamento contra a doença - e pode contribuir para a redução do risco de recidiva. A informação é da fisioterapeuta Iara Rodrigues da Silva, da Clinionco, clínica de Porto Alegre especializada no atendimento a pacientes com câncer.
Iara lembra que durante a quimioterapia é comum o paciente sentir fadiga, ter alterações no seu nível de estresse e até mesmo entrar em estado depressivo. Esses efeitos se prolongam durante algum tempo após o tratamento e, por isso, é compreensível que muitas vezes ele não se sinta propenso a praticar atividades físicas.
"A diminuição do apetite, as dores, falta de disposição e alterações no humor podem manter o sedentarismo ou levar a ele quem antes fazia algum tipo de atividade", explica a fisioterapeuta.
A inatividade acaba criando um ciclo vicioso no organismo do paciente, que tem seu metabolismo alterado. O câncer gera desgaste maior do ponto de vista energético e protéico e a inatividade colabora com esse processo, gerando perda total maior, com mais fadiga e fraqueza.
Iara enfatiza que o exercício físico, em qualquer momento do tratamento, aumenta a força muscular, a capacidade funcional e leva ao melhor controle do peso e da gordura corporal, permitindo que o paciente volte a fazer o que fazia antes. Outros efeitos benéficos são o aumento da capacidade cardiorrespiratória, da flexibilidade, equilíbrio e do humor.
"A prática da atividade física melhora a resposta do sistema imunológico, o que pode contribuir para reduzir o risco de uma recidiva", informa a especialista. Além disso, o exercício favorece a melhora do sistema gastrointestinal, contribuindo para a regularização da evacuação e acelerando a passagem de diversas substâncias pelo organismo.
Iara enfatiza que a atividade física deve ser retomada o quanto antes, mesmo na fase preparatória para o tratamento quimioterápico, quando pode ajudar a reduzir o impacto de eventuais efeitos adversos. Ela aconselha que a escolha da atividade, assim como a definição sobre sua intensidade, duração e freqüência, não devem ser feitas pelo paciente isoladamente. Ele deve discutir o assunto com seu médico e buscar a orientação de um profissional com conhecimento no campo oncológico.
Publicado em 27/03/2008