Entrevista com o professor de educação física Marcos Turci
Sushis, sashimis, eletrônicos e mecânica automotiva estão longe de ser a únicas influências orientais em nosso meio. Cada vez mais, usos e costumes da cultura japonesa, chinesa, coreana e dos demais países asiáticos são assimilados pelo brasileiro. Um exemplo é a disseminação das diversas lutas marciais, algumas milenares, outras criadas no mundo moderno, e que ganham adeptos entre homens, mulheres, crianças e idosos.
O tae kwon do é um exemplo. De origem coreana, foram encontradas menções a essa arte marcial feitas no século I a.C. No mundo moderno, ela foi abandonada durante o período de domínio japonês que, encerrado no final da II Guerra Mundial, permitiu que ela ressurgisse aís e só então ganhasse o nome com que é atualmente conhecida, revela o professor de educação física Marcos Turci, praticante dessa modalidade e responsável por uma academia em São Carlos, interior de São Paulo.
O tae kwon do é uma técnica de combate que visa à autodefesa, explica Turci. Ele exige principalmente o trabalho com as pernas e depende de velocidade e agilidade de seu praticante. A técnica é bastante democrática, porque pode ser praticada por pessoas de ambos os sexos e de qualquer idade e, como todo esporte, pode auxiliar na manutenção ou perda de peso.
A modalidade pode ser praticada por quem passou por um tratamento contra o câncer, desde que haja liberação médica, alerta o professor Turci. Ele explica que, por exigir muito trabalho das pernas e, por conseqüência, da região abdominal, pacientes colostomizados podem não ser liberados pelo médico para esse tipo de atividade.
“Em relação a outras artes marciais, o tae kwon do tem a vantagem de não exigir que os lutadores se agarrem, porque a luta é feita com os oponentes relativamente longe um do outro, nem requer que eles tenham de ir ao chão para lutar”, diz Turci.
Ele vê ainda benefícios como a atividade aeróbica intensa proporcionada por essa técnica, o bom condicionamento físico que é alcançado e o gasto calórico alto. Além disso, os movimentos coreografados ajudam a aumentar a capacidade de concentração. O praticante ganha em autoconfiança.
“Isso não significa que o lutador de tae kwon do deva utilizar essa técnica para enfrentar situações de perigo como um assalto, por exemplo”, alerta Turci. A técnica, em sua opinião, deve ser encarada como um esporte e só utilizada fora dessa situação em casos extremos.
Publicado em 04/12/2008