Entrevista com a fisioterapeuta Rosana de Souza Lucena, do Inca
O risco de inchaço e edema dos vasos linfáticos, sempre lembrado quando se fala em câncer de mama, também existe após a cirurgia de câncer colorretal, afirma Rosana de Souza Lucena, supervisora técnica de fisioterapia do Hospital do Câncer I, do Inca – Instituto Nacional do Câncer.
Dependendo da localização do tumor, pode ser necessário retirar linfonodos próximos, para maior segurança. Se isso acontece, há tendência de inchaço após a cirurgia e as medidas para melhorar o quadro, informa Rosana, são a drenagem linfática manual e a realização de exercícios, com orientação fisioterapêutica.
A fisioterapeuta explica que é natural o paciente sentir dificuldade de caminhar logo após a operação e o grau em que isso acontece também está relacionado à localização do tumor. Se ele for retirado da região mais baixa do intestino – como o reto e o ânus -, que é muito vascularizada, há o risco de provocar lesão nervosa que acaba se traduzindo na dificuldade maior para caminhar. Para minimizar os efeitos de uma cirurgia demorada, em que a pessoa fica na mesma posição durante algum tempo e numa sala fria de cirurgia, a fisioterapeuta recomenda o uso de meias elásticas logo após o procedimento.
“Em todos os casos é importante que logo nos primeiros dias alguns movimentos já sejam executados”, afirma Rosana, acrescentando que é fundamental ainda que o paciente siga corretamente as instruções sobre o adequado posicionamento, sobre como levantar da cama e demais movimentos do início da recuperação.
Rosana observa que as primeiras medidas incluem a realização, mesmo com o paciente ainda na cama, de movimentos com o pé e se possível com a perna, como se estivesse pedalando ou abrindo e fechando as pernas. Assim que puder ficar em pé, deve levantar o calcanhar, apoiando-se em uma estrutura como o parapeito da janela ou uma mesa, por exemplo.
Durante o período em que ainda não poderá realizar exercícios localizados, Rosana aconselha o uso de cintas ou faixas para controlar a flacidez do abdômen, quando não há necessidade de bolsa de colostomia. “A musculatura flácida nessa região interfere na postura e gera dores lombares”, explica a especialista. Quando não há uso de cinta, a atenção à postura deve ser redobrada, assim como a execução correta dos movimentos ensinados pelo fisioterapeuta.
Publicado em 11/06/2007