Entrevista com o educador físico Bernardo Ferraz Neto
Depois da completa recuperação da cirurgia para a retirada do tumor, é possível optar pela natação como uma atividade física. Embora o nado exija a movimentação dos braços e tenha reflexos sobre a musculatura do abdômen – regiões que podem ter sido afetadas na operação tanto no caso de um tumor de mama, como no de um tumor colorretal -, havendo liberação médica o paciente pode se dedicar à sua prática.
Mesmo quem não sabe se virar na água pode passar a ter a natação como uma forma de se exercitar, esclarece o professor dessa especialidade, Bernardo Ferraz Neto, também conhecido como Bado, graduado em educação física, com especializações em natação e pólo aquático. Ele conta que o primeiro passo em suas aulas é fazer a adaptação da pessoa de maneira que ela se acostume a colocar o rosto na água.
Segundo o professor, a natação é uma atividade que só traz benefícios. Para as crianças, é excelente no desenvolvimento geral, e para os pequenos e também para os adultos atua no fortalecimento dos músculos, é um bom exercício cárdiorrespiratório que não produz impacto, além de ser prazeroso. Nadar ajuda no condicionamento físico, no aumento da flexibilidade e da resistência muscular.
O s estilos de natação , explica Bado, são o crawl ou livre, de costas, de peito ou clássico, e borboleta ou golfinho. No crawl, o nadador fica com a barriga para baixo, a rotação dos braços, feita alternadamente, é completa e as pernas chutam a água. O nado de costas é parecido, porém o nadador fica com o abdômen para cima. Ao dar as braçadas, ele é obrigado a fazer movimentos com o ombro. No nado de peito, fica-se de barriga para baixo e a braçada é dupla, feita dentro da água. Os braços são esticados e puxados, simulando uma alavanca, e as pernas fazem movimentos simultâneos. Já no nado borboleta ou golfinho o corpo faz movimentos de ondulação na água. Os dois braços são movidos simultaneamente, as pernas ficam juntas e a cada duas pernadas o nadador dá uma braçada.
Bado alerta a quem teve a musculação dos braços afetada pela cirurgia que todos os estilos de natação exigem movimentação dos membros superiores, mas lembra que o organismo em geral promove adaptações e, por isso, na maioria dos casos o nado não é vedado a esse tipo de paciente. Na sua avaliação, os estilos mais simples são o crawl e o clássico, principalmente para iniciantes e para aqueles que têm medo da água, porque o fato de estarem de barriga para baixo propicia maior sensação de segurança.
O professor aconselha ainda que, após a liberação médica, o paciente faça uma avaliação física para determinar o programa que vai seguir e o grau de dificuldades a que poderá se submeter. Essa avaliação vai verificar, além das condições do organismo, dados sobre as atividades físicas que o paciente praticava antes da cirurgia e os objetivos que quer atingir.
“O programa pode variar em função da extensão da cirurgia, mas, também, levar em conta se a pessoa era atleta anteriormente e se tem como objetivos apenas manter-se ativo ou ter uma f orma de lazer”, diz o especialista.
Publicado em 19/11/2008