Fazer ginástica com a cumplicidade da água em temperatura agradável pode ser uma boa pedida para quem quer manter-se ativo de forma prazerosa. Essa é, também, uma alternativa viável para o paciente com câncer, desde que tomadas algumas precauções e após a liberação do médico e do fisioterapeuta.
A professora de educação física Esther Pinto, do Hospital do Fundão (IPPMG-UFRJ), explica que a hidroginástica oferece todos os benefícios de uma atividade física com a vantagem de propiciar melhor socialização e a oportunidade de realização de atividades lúdicas, que ajudam a reduzir o estresse. Ela lembra que essa é uma atividade de baixo impacto que se adequa com perfeição para pessoas que têm problemas nas articulações ou tendência a desenvolver osteoporose.
Segundo Kelly Nucci, fisioterapeuta do Serviço de Reabilitação do Hospital Sírio Libanês (HSL), de São Paulo, a hidroginástica pode ser iniciada após a cicatrização completa das incisões cirúrgicas. Ela enfatiza que, para fazer uma atividade física tradicionalmente praticada em academias de ginástica, é preciso primeiro condicionar e fortalecer os músculos que foram afetados com a cirurgia e restabelecer a amplitude de movimento das articulações envolvidas.
“Após uma cirurgia para retirada de mama, a paciente deverá ser orientada quanto a medidas preventivas em relação ao correto posicionamento do braço, prevenção de lesões de pele, manutenção de amplitude de movimento das diversas articulações, além de exercícios de fortalecimento, para que o membro superior readquira sua funcionalidade”, informa a fisioterapeuta.
Muitas vezes, quando o procedimento inclui a retirada de gânglios linfáticos, na região axilar, a paciente pode apresentar linfedema, inchaço localizado resultante da retenção de líquido. Esse edema acarreta aumento de volume do membro superior, maior sensação de peso no local e conseqüente menor movimentação global desse segmento. Movimentos simples como abrir e fechar a mão, dobrar e esticar o cotovelo, elevar o ombro para frente e para os lados, fazer movimentos com a cabeça podem atenuar esta condição.
Esses movimentos devem ser feitos diariamente, durante um a dois meses – em geral, iniciados após cinco dias da cirurgia – sempre sob orientação profissional. Segundo Kelly, é visível a diferença alcançada entre pacientes que seguem essas recomendações e as que não seguem.
“Se a limitação do ombro e do braço não for trabalhada, a paciente passa a utilizar cada vez menos o membro superior e adquire atitudes posturais inadequadas, explica a fisioterapeuta”. Por isso, antes de liberar a paciente para a hidroginástica, ela enfatiza a necessidade de uma cuidadosa avaliação para detecção de eventuais déficits e posterior prescrição de exercícios específicos à condição individual.
Também para o paciente com câncer colorretal, após o período inicial de adaptação ao ostoma, a hidroginástica pode ser uma alternativa, garante a fisiatra Isabel Chateaubriand Diniz de Salles, responsável pelo Serviço de Reabilitação do HSL “A bolsa de colostomia e a placa são impermeáveis. Se elas estiverem bem adaptadas ao corpo e corretamente vedadas, não haverá riscos ao paciente nem contaminação da água”, informa a fisiatra.
Segundo a médica, depois de esvaziada a bolsa, levará algum tempo para que seja preenchida novamente. Nesse período, o paciente pode permanecer na água realizando a atividade. Ela recomenda que o paciente examine o ostoma com freqüência para verificar se há mudanças na aparência ou tamanho, presença de sangramento contínuo ou excessivo entre a pele e o ostoma ou irritação local. Na presença desses sintomas, a hidroginástica deve ser evitada e o médico deve ser consultado.
Publicado em 01/08/2007