Entrevista com o médico Pablius Staduto Braga da Silva(*), do Laboratório Fleury

Pacientes ostomizados ou portadores de prótese mamária podem voltar a praticar esportes de impacto, como o vôlei ou o basquete. Não existe contra-indicação formal, garante o médico Pablius Staduto Braga da Silva, coordenador do setor de Medicina Esportiva da área de Promoção de Saúde do Fleury Medicina e Saúde, em São Paulo.

Terminado o processo de cicatrização, nada impede que o paciente faça um esporte com maior impacto, embora seja recomendável atenção e cuidado em relação à lesão cirúrgica, explica Silva. “Mesmo em situações de lazer, existe muita competitividade num jogo de bola e, por isso, a atenção para não machucar a região de um ostoma por choque com a bola ou com o adversário é fundamental”, acrescenta o médico.

Ele ressalta, ainda, que esportes como o vôlei e o basquete demandam forte gasto energético e, por isso, a opção por essas atividades tem de ser adequada à capacidade que a pessoa apresente no momento. “Em geral, o tratamento contra o câncer provoca fadiga, tornando difícil, em alguns casos, a prática de uma atividade que exige muito gasto energético”, diz o médico.

Para ele, fazer uma atividade física é de grande importância para quem está em busca da cura. Assim, se a pessoa não se sentir disposta a fazer uma atividade intensa ou tiver receio de praticar um esporte competitivo, deve começar realizando exercícios de alongamento, anaeróbicos e com cargas pequenas. “A atividade melhora a respiração e a circulação como um todo e também a força e a resistência muscular”, ensina Silva. Ele enfatiza que o paciente deve buscar fazer exercícios mesmo na fase de fadiga para “acordar” o músculo, principalmente aqueles afetados pela cirurgia.

“A atividade física auxilia a obter equilíbrio e bem-estar e pode até reduzir a sensação de fadiga que tem fundamento orgânico e, também, emocional”, explica o especialista.

Tanto para o paciente colostomizado como para o mastectomizado, Silva lembra que fazer uma atividade física contribui para controlar o peso e para a melhor eliminação dos metabólitos produzidos pelos alimentos e por medicamentos. Para quem fez uma ostomia, que tem o intestino encurtado e naturalmente já precisa de uma boa hidratação, tomar bastante água ou líquidos em geral é fundamental, porque a perda de líquidos é também aumentada durante a atividade.

(*) CRM-SP 62635



Publicado em 09/09/2008

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